domingo, 29 de novembro de 2009

CINCO

PARTE I


Ela sim é um sonho o qual eu não posso tocar
Nesta vida de proibições esta é a proibição mais doída
Mais proibida
Redundantemente mais proibida

São olhos que não posso ver
Uma pele que não posso tocar
Um sentido que não posso sentir

Quem me dera que sua alma me desejasse
Talvez assim eu poderia me tornar um sonho
Talvez assim eu poderia me tornar eu mesmo

Mas é perigoso ser você mesmo
Aqui, neste mundo, isto é demoníaco

Ela me chama, ou melhor...
Sua chama me chama, não ela...
Ela chama a outros, outras chamas
E minha chama fica só
O meu chamar fica só
Tênue como um corisco

Gostaria de ser um Júpiter
Tão belamente esculpido por um Michelangelo
Mas, meus músculos são atrofiados
E minha pele é branca transparente
Não tenho força...
Não tenho dotes...
Não tenho terras...
Não tenho carros...
Sou apenas um ser que tenta pensar
Em um mundo onde se pensar é pesaroso
Difícil para mim é tentar fazê-lo
É como se todos nós fossemos proibidos
Proibidos de ousar pensar...

PARTE II

Mas o meu amor é real
Eu posso tocá-lo
Eu posso senti-lo

O meu amor é algo do qual lutei
É um amor verdadeiro
No amor verdadeiro doam-se as roupas
Sem se arrepender
O meu amor é sereno
Tão castamente sereno que me faz sentir humano
Me faz sentir natural
Uma natureza mentirosa para muitos
Uma verdade soberana para mim

O amor de verdade não é perfeito
Ele te libera e ao mesmo tempo te castra
Ele prende o seu sentir para um sentir mais honrado
Ele troca o vinho de Baco pelo néctar dos deuses
O amor não é humano
O amor provém do homem para ele não ser homem
O amor condiciona as SUAS verdades
Para que as nossas verdades não sejam verdades
Mas sim devaneios, devaneios de animais loucos

O meu amor é só meu
É tragédia para muitos
É poesia para alguns
É morte para mim
É vida ao mesmo tempo

PARTE III

Quando o fruto do meu amor chegar
Nele poderei encontrar algo de mim
Talvez seja verdade mesmo
Talvez a força que temos não vem de nós
Mas daqueles ao qual concebemos

A vida é assim
Você vive junto com outra vidas
Você vive para criar outras vidas
Pra que estas vidas possam viver
Com outras vidas e assim
Dar seguimento a vida

Quando "ela'" chegar
(E espero que isso aconteça)
Gostaria que ela não visse este mundo
Assim como eu o vejo
Gostaria que "ela'" pudesse tomar o seu café da manhã tranquilamente
Ir para o trabalho sem nenhum desespero
Sonhar com amores de maneira adocicada
Almoçar tranquilamente enfim...
Ser uma pessoa comum...

Mas será que é verdade?
Será que todos a minha volta são comuns?
Ser comum então é seguir tranquilamente a vida?
Eu não sou comum, eu brinco de ser comum...
Neste cotidiano eu finjo ser comum
Não levo a sério este negócio de ser comum
Talvez é isso que eu queira nela
Que ela seja adulta assim como não sou
Que ela leve a sério o que eu acho brincadeira

Quando "ela'" chegar
(E espero que isso aconteça)
Vou lhe mostrar o que o poeta falou sobre o "Giz"
Vou tentar ser um criança como "ela'"
Uma criança que ainda finjo ser

PARTE IV

Todos nós lutamos por dinheiro
Temos oito horas de teatro por dia
Fingimos ser amigos dos inimigos
Fingimos ser inimigos daqueles que...
Poderiam ser nossos amigos

Na fábrica você é forçado a ser
Um homem sério
Você faz aquilo que te mandam fazer
Para depois "nos dias de não escravidão"
Você mandar os outros fazerem
Aquilo que eles não querem fazer

Você corre lado a lado com seu amigo
Mas não quer que ele te ultrapasse
E se ele cair?
Não importa, você ainda está correndo
E se ele te der uma rasteira?
Ele é um maldito mas aguarde...
Sua hora irá chegar!
Assim é o mundo

PARTE V

Oh Jeová!
Oh Sócrates!
Oh Platão!
Oh Aristóteles!
Oh Sêneca!
Oh Aquino!
Oh Morus!
Oh Erasmo!
Oh Descartes!
Oh Newton!
Oh Nietzsche!
Oh Marx!
Oh Wittgenstein!
Oh Foucault!
Oh dores do mundo!

Todos você tiveram um parto e deram partes destes partos para mim. E agora para onde vou partir? O que eu quero realmente procurar sendo que sei que vocês não encontraram o que procuravam?

Eu reflito sobre a vida
E vejo nela um reflexo
Um espelho de coisas já vividas
Vidas que são diferentes
E ao mesmo tempo iguais

Sou apenas mais um ser cumprindo um ciclo
Assim todos foram...
Que me adianta a fama?
Que me adianta ser o melhor?
Se não posso viver mais cem anos!
Gostaria de ser um paria
Que vive nos guetos
Nas condições mais imundas
Mas que pudesse viver mais cinquenta anos
Ou talvez mais vinte e cinco
Se pudéssemos barganhar com Deus

Eu vejo um futuro de filhos marcados
Globalizados e ultrajados
Involuntários sangrados, rejeitados e humilhados
Donos de uma nação sem dono
Inocentemente estuprados as oito e as dez nas suas salas
Globalizados
Engolindo fatos inventados
Comprando sonhos simulados
Dissimulados
Engolindo a verdadeira arte com enfado
Afogados
Gostando do que é fraco, retardado
Vivendo a vida de outros
Massacrados

É quixotesco ser um poeta!
Mais ridículo ainda um poeta semi-analfabeto!
Porque ser um poeta eu um mundo sem poesia?
A eletricidade matou a poesia
A tecnologia matou a poesia
Ser poeta hoje em dia é dançar com o fracasso!
Mas como é bom ser fracassado!
Como é bom ver a música nas flores
E a arte nas palavras
Como é bom saber ser diferente
Como é bom não lutar por dinheiro
Como é bom não se sentir "o melhor" por ter uma Mercedez -BENS estacionada na garagem
Como é bom não usar TNG
Com é bom não ter aquela loira da Playboy
Como é bom não tomar Blue Label
Como é bom andar na contra mão do que "eles" nos impõe
E dizem que é o modo de vida certo

Então esta é a sociedade?
A verdadeira verdade é ter uma mansão?
Ter uma Ferrari, beber Coca-Cola e sair com a nova playmate do mês?
Então é só isso que vocês me oferecem?
Ha, mas então eu fico com os meus sonhos
Porque tenho certeza que são tão irreais
Quanto os teus!

Então eu sigo esta vereda
Até Deus me colocar um ponto final
Como colocarei minha poesia
E tenho certeza
Que quando as minhas mortalhas forem colocadas
Elas não mostrarão nem um terço do que fui
Tenho certeza
Que o meu semblante de morte
Não mostrará nem uma vírgula
Desta Vida-Poema que agora vivo

Então eu sigo meu caminho
Sigo como um poeta
Pois todo poeta tem uma ferida eterna
Que tenta curar com as suas palavras
Todo poeta é uma viúva
Que chora pelo seu marido
Que é este mundo perdido

Todo poeta é uma criança indefesa
Vulnerável a todas as dores
Suas únicas forças estão nas palavras
Força fraca para todos
Fraca força para ele

Então aqui está minha fraqueza
Nestas palavras parcas de um português ruim
Nestes gritos pequenos que não serão ouvidos por ninguém

Mas aqui também está a minha força
A força que no passado mudou o mundo
E hoje só pode mudar a mim
Apenas a mim

ÔNIBUS NEGREIRO

Oh! Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!

E veja
Dentro daquela caixa
As senhoras de pé
Os senhores de pé
E os garotos sentados

Note
Os humanos apertados
Junto com seus sonhos
Agora apertados
Imóveis, loucos...risonhos

Repare
O transpirar de sangue
As vozes impacientes
Uma barca de Dante
Os olhos carentes

Oh! Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!

E veja
Nestas curvas fechadas
Os trabalhadores a ruir
Motoristas de almas marcadas
Como um leão prestes a rugir

Note
A criança com pneumonia
Sem saúde, sem nenhum plano
Que vive hoje com sua tia
Pois sua mãe está em desengano

Repare
Nas mãos daqueles pais
Calejadas de torturas
Possuidores de muitos ais
Almas cortadas por ranhuras

É aqui que deveria parar meu poema
Oh Deus!
Oh Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!

Um povo sofrido de ser ver
Vida atribulada como o chacoalhar do Ônibus
As donzelas enganadas
Os garotos sofridos
Que buscam nos finais de semana
Os espíritos se lavarem
No sêmen do esquecimento
Na viagem da cocaína

Mas não são deles
Esta viagem
A viagem do ônibus é sombria
Ela caminha para o deus da Obrigação
Que hoje é tão bem servido
Como o Deus original

Oh Deus dos desgraçados!
Sorria agora
Com seu riso de ternura
Para os pobres miseráveis
Que cantam pedindo pão
Para aqueles que ficam sentados

Mas assim os meus pensamentos voam longe
Cercados de planos e desenganos
Eu também luto na vida
E junto com eles eu estou

E assim meus versos são profanos
Pois ninguém enxerga o que está a sua volta
Então muito menos estas palavras

Mas assim será meu canto. Longe de querer ser ouvido, sei bem que nada, nada do que se diz será cumprido. Meus irmãos estarão sempre no Ônibus Negreiro. Com seus sonhos e com suas ilusões. Preocupados com as bundas dos finais de semana. E se esquecendo ou fingindo esquecer das desilusões.

Oh Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!

Eu busco qualquer miragem
Dentro da minha imagem
Que é gerada no meu pensar

Tento enganar a minha carne
Que agora chora em busca do sublime
Mas eu finjo-me de surdo
E me esqueço das minhas razões

E assim são meus versos
Livres e caótico
"Na voz de um "pensador""
Que ousa pensar
Em um lugar aonde isso é proibido
Não na forma feudal
Com donzelas de ferro e feridas
Mas na forma corriqueira
Das zombarias...foragidas

Eu não vou fugir do desengano
Pois os ataques me fizeram forte
Devemos antes de tudo agradecer
A aqueles que nos atacam
Pois o beijo da donzela apenas amansa a carne
Más o chicote do carrasco
Traz força a carne
Que não é calejada
Marcada
Descorada
E também é experiente
Não mente
E transforma a mente

E ônibus segue para a montanha
E o sol brilha no porvir
Transformando aquele momento único
Na verdadeira consumação da vida
Não parece
Mas lá também ela deve ser vivida

Peço desculpas por estes versos tolos e desconexos
Mas também devemos pedir desculpas a vida?
Não, devemos agradece-la
Até no ônibus
Onde não parece, mas o momento é vivido também

Então
Veja
Note
Repare


Oh Deus dos desgraçados!
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!

OLHOS AZUIS

Nasci filho de brancos e caboclos
Em meu sangue a alma grita
A respeito de um passado distante
Intranquilo
Porém errante

E assim me fiz garoto
Brincando nas casas de tijolo velho
Vendo o meu leite
Sendo misturado com o álcool da insensatez

Tentei ser de bem
Mas matava insetos
Destruía passarinhos
Batia em amiguinhos
E me desviava das chuvas...
Dos pinguinhos

Minha mãe colocava o prato na mesa
E as escondidas ia chorar
Era arroz com ovo
Para mim algo difícil de gostar
Pois as porradas do meu pai
Ela tinha de suportar

Daí eu vi então aquela menininha
De olhos azuis e tranquilos
Olhava para o nada... o vazio
Eu olhava para ela querendo me completar
Ela quis se completar com o outro
Eu tinha seis anos apenas

E na escola os números me matavam
Aos poucos me encerravam
Eu tentava em vão me desviar
E depois destes dias
Sentia que a matemática iria me matar

Mas aos doze anos
Um velho me ensinou
Em Deus confiar
E depois destes dias
Eu sigo eterno a cantar
E pelas ruas viajar
Questionar
E chorar

Há mas onde estão aqueles olhos azuis?
Aquele semblante calmo e confiante
Ele me falou do fim do mundo
E do final do homem
Mas também falou do amor de Deus
Que a Ele consome

E aprendi a ter medo
Mas ter a coragem em mim
Dada pelo ser divino
Que através do racional
Me levou para glória

E aqueles olhos azuis fitavam novamente para mim
Em forma de menina mulher
Carregando o pecado consigo
Fazendo que no futuro
Eu sentisse saudade de mim

Olhos azuis
Que me fizeram esquecer da vida
Ao qual eu fugi
Deixei-a caída, sofrida
Mas eu sofri também
Cortei parte da minha vida
E até abandonei a minha alma
Que até hoje não é outra

Há mas eu queria conhecer os céus
E busquei isto nas palavras de livros
E me esquecia de tudo
Dos ovos não comidos
Dos cabelos dourados negados
Que desejava serem esquecidos

E conheci um poeta
Que me disse o que era céu e mar
Aonde ficava o A e o B
E a Deus ousei questionar

Mostrou-me também o horizonte
As nuvens distantes
Que eu nunca ousara ver
E eu olhei para cima
De verdade
Pela primeira vez para cima

Mas aí o amor chegou com asas ligeiras. Veio com um rosto sereno de mulher. Com cor parda porém branca. Pois branca era sua alma. Alva, mas também carregava o magma dos deuses. E o meu vulcão quis entrar em erupção. E assim o amor me levou para o céu.

E com rosto de mulher
Minha vida se fez
Experimentei o pecado
E nada, nada ele fez
Pelo contrário
De rosto colado
Minha solidão se desfez
E foi assim que "Colombo descobriu a América".

E meu amor se tornou forte
Além de qualquer razão
Não uni só carne
Uni alma também
Abandonei pai, mãe, avô, irmão
E segui em frente
Sem medo de ninguém

Mas aí chegou a morte
E quis barganhar minha vida
Que eu achei de muito sofrida
Quis abandoná-la
Sim, minha vida
E a morte quis me calar

O medo me domou
Tomou
De mim o que não tinha
-"Você errou" - disse ele
A morte eu não tinha
E minha coragem ela levou
E assim minha alma ficou fria
Sozinha

E os céus se fecharam
E toda poesia morreu
Abandonei a vida
Todo horizonte se perdeu
Não tinha mais o que fazer
Disseram para mim:
-"Você foi alguém que não viveu."

Mas eu lutei
E a morte assim enfrentei
Cortei o dragão
Com punhais pequenos
E suas labaredas eram grandes
Mas o futuro assim fitei
Não, não me entreguei

E na luta com eu mesmo
Me tornei eu mesmo
Não, não entreguei minha vida a esmo
E a morte foi embora
Com o seu cortejo

E estou aqui mesmo. Nestes versos errados e as vezes acertados. Uma vida que conseguiu encontrar a luz. Meus poemas são assim. As vezes sem versos, as vezes com versos. Mas se você não entende, saiba que a vida é tão desconexa quanto este poema. É imprevisível. Não é planejada. Ela é jogada ao nada, faz parte de você fazer com que ela se transforme em tudo.

E aqui eu tenho uma visão
e profeta poeta

Eu vi a poesia morrer
E a arte se desfazer

Vi canhões de laser
Invadirem a solidão do céu profundo
Vi um povo grande
Dominar um outro menor

Vias as pessoas serem jogadas
Que nem zumbis ao solo
Vi as crianças chorarem
Sem pais
E sem país

Vi o horizonte se desfazer
Nossos filhos serem escarrados
Diante de poderosos sem coração
Que transformarão este mundo
Em total alucinação

Eu vi Deus morrer na escuridão
Vi o Soberano ser morto por todos
Vi o amor ser desfazer
E a tecnologia chegar ao coração
O deixando, infelizmente
Eletrônico

Mas assim sigo a vida
Poeta, profeta, desconexo
Tentando achar nisso tudo
Algum nexo

Mas não se preocupe
Com este meu transe
Siga sua vida
Viva, transe
Vamos nos esquecer dos outros
Afinal de contas
O nosso umbigo é mais bonito não?

Eu quero um mundo sem ideologias
Quero que o pão seja dado
Sem que por trás dele haja teorias

Quem tem fome
Não tem como pensar
Ele não sabe como chegou ali
Só quer sua natureza
Saciar

Mas aqui acaba meu transe
Sem chave de ouro
Sem rima
Apenas tentando achar lógica no meu questionar

Então sonhe amiga e amigo meu
Pois o dia de amanhã ninguém sabe
E se um dia isto tudo acontecer,
Sua própria alma conseguirá encarar?

domingo, 8 de novembro de 2009

DOR

Eu escrevo apenas o que sinto
Palavras desconexas cercadas de dor
Um punhal no coração
Um tiro na alma
Uma facada com fel
Uma marca no olho
Um golpe de cruz
Um arremesso no peito
Uma batida emotiva
Uma flechada de luz

Minha dor não é simulada
Eu tento traduzi-la nas minhas canções
É dor que grita no peito
Mas não como um pássaro
E sim como uma besta sonhadora...

O CENTRO

E você anda na cidade
Passando pelos grandes e velhos viadutos
Olhando as pessoas que andam
Vendo os camelôs
Os mendigos
E as prostitutas

Que, haja visto, são mulheres também
Belas, bonitas em suas belezas
Em seus corpos

Os pequenos homens
Se divertem nas
Humildes fantasias
Divertidos
Em cervejas
Amendoins
E afins

O centro é diversão total!

Coxas de mulheres direitas também:
-Sexo só depois do casamento.
Para mãe
-Sexo só depois do primeiro beijo.
Para elas

O centro é diversão total!

E temos sim vários acrobatas
Distraindo os que passam
Artistas que enganam
Enquanto outros
Batem as carteiras

Tem também cantores
Cantoras, músicos mirins
E afins

O centro é diversão total!

Sucos de graviola nas esquinas
Refrescos de pó nos quarteirões
Tem também churrasco grego
Cachorro quente, Hot-Dog e Dogão
Há sim, tem também Dog Prensado
Delícia!

O centro é diversão total!

Restaurantes finos
Mas tem comida pra pobre também!
Tem pastel de um real!
Delícia!

O centro é diversão total!

Tem cinema
Que passa "movies of the hollywood"
As guerras vencidas do tio Sam
Espertinho!
Mas tem também filme erótico
Tem sim sinhô!
E tem também stripers
Hó as stripers!
Delícia!

O centro é diversão total!

Tem ônibus bão também
Joga fumaça na galera
Mas motorista é educado:
Para menina de mini-saia atravessar a rua
Sem contar que é genial:
Deixa senhora bonita descer pela frente
E passa por cima do velhinho que deu sinal
-Ora, mas isso é hora de velho saí!?
-Velho tem que marcar hora com médico dispois do horário de pico!
-Ora essa!

Que legal!
Delícia!

O centro é diversão total!

A PROFECIA

E este poema é dedicado a todos aqueles fracos que são fortes neste mundo louco. A todo este "povo-gado" que sobrevive na guerra civil do maior dominando o menor.

E assim disse o poeta profeta:

Eu vejo um povo machucado
Desnorteado do seu saber
"Inginorante" com respeito a sua força

Eu vislumbro um povo caído
Alimentando-se de água suja e pão
Rendendo-se a uma nação poderosa e destruidora

Eu vejo crianças mortas
Jogadas ao chão
Querendo de qualquer forma
Um pai
Que talvez tenha morrido
Em uma chacina em São Paulo

Eu vislumbro o caos no sol
O coração de irmãos ser escravizado
O coração de outros ser domado

Eu vejo o amor ser corrompido
Nas damas da noite da TV
Invertendo os valores da vida

Eu vislumbro mulheres grávidas
Sem ninguém
Procurando um amor
Que não existe

Mas o amor está neles
Alucinando-os
Gerando as crias da desilusão

Mas o amor é doce
Quando dele se bebe
Amargando-se apenas no final

Mas eles são livres
Em seus sonhos de riso fácil
E se alegram por pouco
Pois pouco é o que tem

Mas eu vislumbro dias de luz

O primeiro sinal será como luzes de fogo
E irá queimar todos os tubarões gigantes


Eu vejo uma luz sair deste povo
Que irá corromper o "incorruptível"
Assassinando
Destroçando
Cortando
Amargando

Surpreso?
Fazem isso com você hoje e você nem percebe?
E saiba, farão com suas filhas também

Eu sonho que a igualdade irá chegar
Mas vinda com um cavalo branco
Cheio de sangue
Pois o único preço da liberdade é o sangue

Sangue vermelho escarlate
Que corre nas veias do explorado
Que sofre de escarlatina
E o seu nervo ... desatina:
"Olhe lá meu amigo, piscinas!"
São todos tão lindos...
"Aquela loira ... ferina!"
E a sua alma patina
É como um touro
E um bêbado
Que irá morrer
Na surdina


É meu "povo-gado"...
Não é a doença que acaba com os hospitais
É a conivência, esta sim nos transforma
Em fáceis mortais

Portanto é assim que eu escrevo. Alucinado como este mundo. Aquele que tem olhos verá. Não, não os olhos de verdade que estão no crânio, mas sim os que estão no coração.

Mil vivas a esta nação desesperada
Repleta de rostos bonitos
Onde cada dia
A esperança resplandece
Em berços esplendidos
E em brados retumbantes
De corações que pulsantes
Desejam carícias distantes!

SEMENTE

Me desculpe se não falei de amor
É que meu amor não é direto no poema
Ele está entre as palavras
Entre as linhas

Peço desculpas se minhas palavras são afiadas
Serrilhadas
Destroçadas

É que o amor aqui demonstrado
É amor revolucionário
Não amor de quarto
Egoísta em seu próprio sofrimento
É amor expansivo para todos

Condecoro-me poeta do caos
Para colocar a desordem nos poemas
E demonstrar que esta vida é eternamente desordenada
Uma desordem lírica que se transforma em arte
Uma desordem caótica que a transforma em ordem

Me desculpe pelas palavras toscas
Pela má poesia
E pela revolta

É que eu vislumbro todo este contexto
Como uma obra prima
Algo que só é corrompido
Pela "pobreza humana"

Mas os livros são minhas escopetas
E Kafka, Morus e Morison
Minhas munições
Os meus tiros são dados com palavras
Mas não são tiros de chumbo
São tiros de "verdade" que amargam a mente
Mais do que isto
São sementes que não mentem

Não dizem somente que o céu é azul
Dizem que manchamos veementemente este céu de vermelho

E é assim

Que tão somente

Escrevo

segunda-feira, 25 de maio de 2009

GÊNESE

Do nada ele fez o tudo que virou a luz fiat lux para todas as criaturas que no céu sangrento temeram um deus alucinado que castigava com ódio as fêmeas e a colheita


E do nada ele fez o céu
Firmamento este que se tornou infinito
E trouxe medo as pequenas criaturas que
Ajoelhadas buscaram pedras para o louvar

Sobre os seus raios pré-potentes
Fez surgir a luz
E astros luminosos em redor
Para que no futuro
O fogo fosse consumido
Juntamente com Prometeu

E as estrelas
Potentes em sua glória
Causariam medo a quem ousasse ver

E um estrondo arranhou o Universo
Transformando bolas de fogo
Em bolas de terra
Terra

E do coração dos planetas
Fez as chamas bradarem
E buscarem algo para consumirem

E de uma pequena parte de seu dedo
Um pequeno planeta azul ele fez
Jurando para si mesmo que ia amá-lo

E do solo saíram as bestas
O qual destrutivas
Espalharam o caos da carnificina

E o sangue jorrou pela primeira vez no jovem planeta

Mas Ele
Triste e só
Buscou companhia de seu ventre
E saíram os príncipes luminosos
Que logo iriam incendiar o planeta azul
Como querubins e belzebus

E dentre estes um ousou desafiá-lo

Mas Ele quis se completar ainda mais
E fez a carne de um ser febril
Que selvagem
Gritou de dor ao saber
Que morreria

E todos temiam os céus tétricos
Que se formavam
Uma mescla de vermelho rubi
Com laranja cor de terror

E as cabanas se formavam
Buscando a fuga dos destroços
Das tempestades

E os joelhos se esfarrapavam
Ainda mais nas preces sem sentido
Para um Deus grandioso

Mas Ele mesmo amou a todos
E talvez esta seja sua tristeza
Porque quando a chuva cinza cai
Muitos profetas dizem que tem gosto
De lágrimas de sangue

E com a roda do tempo
Cavalga-se o destino
Que abençoa a existência
Com os seus quatro cavaleiros

Assim todos os príncipes de branco
Bradaram em júbilo
A respeito da arte viva
Que pulsante
Ainda hoje causa espanto

Mas triste ele está sozinho esperando a hora chegar e será quando ele poderá sugar os gênios que fizeram a história mortal e fatal das tumbas do tempo

A MENTIRA

Agora eu posso ver
Nos dias que se passaram
Toda beleza
Do que antes era triste

Minha alma refinou
A custo de sangue
E meu coração antes pesado
Agora é leve como pluma

E não só vi o passado
Eu o senti também
Testemunhei as deusas irem embora
E meus companheiros desistirem

Vi meus ídolos caírem;
Minhas paixões destroçadas
Buscarem a outros

Eu admito que me senti crucificado
Mas meus cravos eram macios
Eu é que não percebi

Quando olho para trás
E vislumbro os zumbis da juventude
Uma força de luz sai de mim
E todas aquelas crianças amargas
Sorriem delicadamente
Dando-me força
Para seguir o caminho.

Pobre de mim
Agora enxugo minhas mágoas
Com o coração encharcado
Nas páginas breves deste livro

Mas não se preocupem
Nunca esperei veneração
Quem escreve para os outros
Isso o faz para mentir
Tão somente para eles
Como para ele também

terça-feira, 19 de maio de 2009

O LEGADO

Carregamos um legado dentro de nós;
Algo que irá se esvair

Somos hoje a última geração daqueles que sonham através de palavras,
O qual escritas a caneta demonstram as canções tristes dos poetas.

Logo mais o som dos teclados
(Desculpe "Mãe América"a palavra certa seria keyboard não?)
Irão abafar os artistas.
Entregando um futuro mais prático,
E menos lírico a todos.

Os que restarão serão apenas párias de um mundo esquecido.

A vida não passa de uma ditadura,
A vontade de viver nos é imposta.
Mas esta é a única ditadura
A qual eu não condeno.

Se cabe a mim ser poeta
Isso já me basta.
Pois o único a me ouvir
Serei eu mesmo.

Então assim sigo meu caminho.
Açoitado pela TV e
Crucificado em meu PC

Que o mundo ria dos poetas!
Para eles a vida não passa de tragédia grega!
E tão parvos seriam eles, se também não rissem de si mesmos!

SENZALA DE FERRO

Você nasce para consumir,
E ser consumido.
O seu coração não é livre.
Afinal de contas o que é liberdade?

Quando você olha para os seus irmãos
Na senzala de ferro
Você não sente?
Quando os vê pendurados nas barras de ferro,
por acado não te lembram Jesus?

É difícil acreditar, que não reagimos...
Estamos sufocados e sentados as 6:10 da tarde na lagarta de metal.
Aonde estão nossos heróis?
Será que temos algum?

Você já olhou para os olhos deles?
Será que você viu alguma esperança?
Alguns sentados e outros de pé na senzala ambulante.
Será que eles querem ser felizes?

Os anos passam, você envelhece e logo mais vão lhe dizer que você não é mais produtivo.
E aí? Até onde vai nossa dignidade?
E a até onde vai o nosso querer?

O nosso corpo vira matéria gasta e
Nossas forças se esvaem...
Será que realmente somos livres?
Será que isso tudo é necessário?
Será que vai ser sempre assim?
Será que vamos nos esbarrar na estações da vida,
E nem sequer dizer um: Desculpe, uns para os outros?

Existem vidas dentro dos navios negreiros de ferro.
Cada um tem sua história:

A dona Odete pensa em como pagar os estudos da filha. O Macedo procura mulheres na sexta-feira. A mãe do Flávio está com câncer no ovário. Joana tem todo o seu enxoval de noiva completo, só falta o pretendente. O Mário comprou um celular e a Maria está apaixonada por ele...Paulo esta com medo pois está tendo corte na firma. Carlos é religioso e não falta um domingo na missa. Valéria faz faculdade paga, todo o dinheiro do seu salário vai embora. Amanhã é aniversário da Aninha, 32 anos. Marcos vai ser papai e sua mãe Délia está gripada.

São tantos...
Tantas...vidas

Abafadas no trem desalmado.

Com seus orgulhos feridos sem ter a quem recorrer.
Mulheres grávidas de pé
Senhoras gastas chorando
Risos nervosos e alienados.

Até quando isto irá acabar?

Olhamos para o céu,
E em meio a gases tóxicos vemos um entardecer escarlate
As nuvens estão revoltas,
Apocalípticas.

Estamos presos em uma cadeia onde as grades são de vidro.

Lá em cima
Os helicópteros voam
Como Hermes, mensageiros da possessão do homem contra o homem.

E você, aonde está agora?

Estará chorando pelo seu dinheiro maldito?
Está sentindo ódio do seu castigo?

Estes pensamentos não são meus,
Voam na cabeça de todos.
Mas para agir requer coragem,
E a coragem hoje
Virou sinônimo de fome.

Então que assim seja!
Que nossos corpos mortos sejam selados em covas rasas;
Pois o que nos resta é a semi-vida que doa de maneira forçada
A vida de verdade para os grandes.

Posto que a minha e a sua força vital
Mancham de sangue as paredes de nossas casas, perguntas resistem:
Qual sangue que de lá irá brotar?
O sangue assassinado das senzalas ou o sangue vermelho vivo da revolta?

Que Deus tenha piedade de nós.

FIQUE

Não vá embora
Pelos menos hoje
Não vá

Vamos deixar as razões de lado
Esquecer o passado triste
E sorrir

Vamos esquecer o que é amargo
E sonhar suavemente
Esquecer
Sonhar

Quero andar novamente
Pelo vale da emoção
Do puro prazer
Emoção

Não vá embora
Pelo menos hoje
Deixe nossos corpos existirem
E os bons sentimentos
Viverem

Sem tristeza desta vez
Sem mágoa
Apenas duas almas vivendo
Sem sofrer
Apenas nós...
Só nos dois

ALGO

Algo está em mim
Lindo como a luz
Divino como o céu
Especial como uma canção
Ritmado como um poema
Lentamente delicado
Enamorando-se da minha alma
Naturalmente alvo
Encantador enfim...encanta

DESPEDIDA

Sei que você é indiferente
Que você não vê
O que os meus olhos vêem
Que o seu fogo não brilha
Assim como brilha o meu

Minha única defesa
(Assim como a defesa do poeta)
São minhas palavras
E as palavras para quem lê
São apenas palavras
Mas para quem escreve
São faróis na neblina

Sabes que és um anjo
E que sua luz me toca
Mas você é indiferente
Assim como os divinos

Você finge não ouvir
Mas não se compadeça
Sigo meu caminho em paz

O que tenho em mim
É mais forte do que
Sinto por você
Por isso eu sigo em frente
Assim a vida pede
Assim as condições são impostas

Eu vou embora,
Seguindo o meu caminho
Com um coração cansado
Mas não se importe
Dentro de mim existe uma alma
A alma de um homem ferido
Certamente com um sonho cortado

Mas não se compadeça
Afinal sobreviver é assim
É superar as dores
É engolir as amarguras

Mas
Prometa para mim
Somente uma coisa
Prometa que vai mentir
Pelo menos uma vez
E dizer
Que sonhou comigo
Pelo menos
Uma vez...

Uma sórdida

E única

Vez...

domingo, 17 de maio de 2009

BOLA

Eram poucos brinquedos,
Vistos com tristeza
Mesmo nos folguedos
Traziam-me frieza

O muro velho, desgastado
O chão seco de madeira
Passado distante, esgotado
De uma vida passageira

Colocaram-me um terno
E desde este dia
Vivo neste inverno

E tarde fui perceber
Que o passado foi o verão
Algo difícil de entender

VOCÊ

Olhe para o céu amigo
E veja
A verdade eterna de Deus
O firmamento anil que
Enche de glória e beleza
Os nossos olhos
Levando a amargura para
Longe, bem longe
Dos nossos corações

Sinta comigo
O ar se esvaindo
Cheio como uma canção
E a natureza sorrindo
Nas folhas pintadas de verde
E você andando
Olvidando-se de qualquer razão

Olhe para o céu amigo
E não se esqueça que
"Ele"não se esqueceu de você

"Ele"está lá
No choro da criança
E também na alegria do ébrio
Esta no alerta do profeta
E nas mágoas da mãe

Se você tropeçou
Levante
Se você caiu
Erga-se
Se você se feriu
Cure-se!

A vida não é um drama
Nem uma comédia
Aprenda: se você quiser enfrentá-la
Só alguém pode escrevê-la:
Você!

CORPO

Tão jovem é sua alma
E tão sereno é seu semblante
Uma alvura mais leve que o sereno
Algo sutil e provocante

Não quero te ver mais triste
Pelo menos hoje neste dia
Não nesta tarde, de raios puros
Neste pedaço solto de melancolia

Agora você não está aqui
Mas eu sinto a sua paz
Tão doce, tão distante
Tão sublime que se desfaz

Brancas são suas vestes
Sussurram tranqüilas na santidade
Sob um solo seco, insano
Que sucumbe silvando... serenidade

Venha para junto de mim
Traga-me as águas de Maria
Traga-me seu corpo santo
Nesta serena calmaria

Seu espírito é uma prece
Traz suavidade ao meu ser
Meu gelado assim aquece
Apaziguando o meu viver

POEMA DE GUERRA

Eles estão a nossa frente
Tendo nas espadas sangue de garganta
Nós estamos presos a corrente
Com um coração que se levanta

Dentro de nós brilha a canção
De lutar sem desistir
Resistindo como uma nação
Com floretes a rugir

Não pensem que somos fracos
Por que temos pouco peso
Pois apesar de sermos parcos
Não toleramos nenhum ensejo

Eles se aproximam agora
Raivosos, prontos para destruir
Mas da coragem sai a aurora
Nunca, nunca desistir!

Somos escravos na verdade
Mas grilhões não atingem almas
E com nossa lealdade
Desferiremos-lhes muitos traumas

Começa agora o assalto
Eles avançam sem parar
Mas nossa coragem voa alto
Com nossas espadas a cortar

Vem a nós agora. Ho Marte!
O pânico acabou
Erguemos nosso estandarte
Nesta luta que começou

E o céu começa a rugir
Vermelho sangue, atacar!
Da esperança vamos nos munir
Para o inimigo molestar

Companheiros derrubados
Poeira se levanta no suplício
De fel e sangue molhados
Vamos então ao sacrifício!

Muitos deles caem a esquerda
E na direita também
Por isso amigo entenda
Luto em nome de Deus, amem!

A batalha assim acabou
E os fracos venceram
Um pesadelo terminou
Os aristocratas morreram!!!

Venha logo companheiro!
Este dia breve irá chegar
O povo terá novo cancioneiro
Para nova Aurora vislumbrar!!!

LEÃO

Ele arde dentro de mim
Tenta dominar o meu ser
Transforma minha tranqüilidade
Em maldição

Dentro de um instante
Não vejo mais caminho
Apenas dor...

Os braços do mal me cercam
É vil o que me assola
As preces parecem inócuas
O suor parece em vão

Mas eu sinto uma flor
Sair de mim
É a força de Deus em meu peito

Força de quem dominou
Tempestades e...
Transformou o mar em sangue

"Não me entrego sem lutar
Tenho ainda coração.
Não aprendi a me render.
Que caia o inimigo então."*

Se o desespero cobre minha alma
Cada gota do meu jovem sangue
Luta ao contrário
Cada átomo do meu ser
Irá buscar a vitória

Se minha adaga é pequena
Que assim seja...
Talvez seja inofensiva
Mas incrustada em sua empunhadura
Reverberam as pedras de Judá

Dentro de mim
A alma do Cristo grita e não...
Ele não me impede de ser eu mesmo.

Se tiver que enfrentar o grande Dragão
Que venha!
Eu não temo mais as terras sem sol
Pois quando chegar nelas,
E isto espero que demore,
Terei certeza que minha luta
Não foi sem sentido.

QUANTO AS LÁGRIMAS

Ela olhou para o mar e chorou
Ele olhou para ela e chorou
Mas as lágrimas não saíam dos seus olhos
Foi um choro seco, um choro sem lágrimas
As lágrimas não saíram dos seus olhos.

Ele tentou pedir a Deus que lhe desse lágrimas
Em vão...
As lágrimas não saíram dos seus olhos.

Ela olhou para o mar e chorou
E viu
Brilhar as espumas do Oceano
Viu
Com os seus olhos o sonho de Deus
E as lágrimas saíram dos seus olhos
Mas ele olhou para ela e chorou
Em vão...
As lágrimas não saíram dos seus olhos.

E ele mais uma vez
Pediu para Deus lágrimas
Nem que fossem amargas e salgadas
Nem que fossem poucas para o seu amor
Em vão...

Ela não estava triste quando viu o mar
Estava feliz por ver toda aquela arte
O azul profundo do mar
A doce melancolia do vento
As minúsculas areias jogadas na praia.

Mas em um determinado momento do tempo...

Ele olhou para ela.
E sentiu
Que apenas poderia vê-la.
Então ele quis chorar.
Mas foi em vão...

Então ele pediu lágrimas a Deus
Em vão...

No entanto
Ele imaginou aquele líquido quente
Descendo nos seus olhos
Um filete se espalhando
Por toda a sua face...

Sentiu o sabor salgado em sua boca.

Algo leve e senil
Então
Branda e
Sublimemente
Levemente
Ele chorou
Chorou com lágrimas agora
De verdade
Viu sua fúria nascer
Viu o mar se revoltar
Viu a beleza da praia
Se transformar
Viu a tempestade do mar
Se aproximar

Ele chorou...

De verdade agora
Ele chorou

Mas

Foi em vão...

SANGUE SANTO

Este céu que agora grita
Atormentado em sua cruz
Revela cavalos vermelhos e negros a cantar,
A galopar diante da cruz
Cruz esta que esta na mão
Símbolo banhado de sangue, suor e honra.

Neblina cinzenta que recobre os corpos
Reluzentes...dependentes de sua própria dor.
Um chão manchado de peste
Repleto de lascas de machados, madeira e vinho.

Mulheres e amores perdidos deixados para traz.
Crianças abandonadas, nas suas próprias vergonhas.
O símbolo mouro reluz ao redor, sorridente com sua própria sandice.
Dois caminhos de luz buscando a escuridão no seio da glória e ambição.

Hoje você irá defender o seu Deus, mas não se preocupe, ele irá estar com você quando empalar o seu inimigo com a espada da vingança.
Não se preocupem irmãos de terra,
Porque o caminho mais fácil para o paraíso é a guerra!
Que Deus guarde as suas almas!

SIMONE

Minha pequena é uma flor mansa
Suave como o cetim
Intensa como o carmim
Fazendo reviver minha esperança

Sobre sua música meu amor dança
Revivendo sonhos para mim
Em um castelo de marfim
Na mais linda folgança

Ela sim me traz temperança
Nesta paixão que não tem fim
Inocente como uma criança

Venha! Vamos cintilar esta aliança
Traga vida sobre mim
Neste amor que não se cansa

SUBLIME

Sublime é o meu sentir
Algo doce e leve
Ilusão senil e breve
Buscando alguém a se unir

Alma intranqüila esta minha
Que procura o insano
Mergulhada no insano
E que sobre este caminha

Pobre coração o meu
Desatinado e febril
Buscando o que não é seu

Tamanha tragédia é esta
Um destino desatinado
Que esta alma confessa!

DESEJO OU SANTO ANTÃO CHORANDO

Meu desejo
Não é o seu desejo
Seu desejo é outro
Seu desejo não existe
(Assim como não existe rima aqui)
O meu desejo existe e só
Solitariamente forte
O meu desejo
É o desejo dos vencidos
Das pessoas que lutam
Por algo que não existe
A minha fúria não está nos olhos,
Mas na alma
Uma dor alegre que entorpece
Um vácuo sem fim que nunca será preenchido
As minhas chagas são dignas
Mas não merecem a dignidade de ninguém
O meu desejo não precisa do seu
O meu desejo precisa da minha força
Da vitalidade que me une ao Deus trino
O meu desejo não precisa de você
Precisa sim da minha Guerra Pessoal
Eu não preciso de você
Preciso apenas destas palavras para aliviar as minhas feridas.

ARDENTE

Ela é doce
Amargamente doce
Golpeia o coração
E o faz feliz quando sangra
Transforma os pesadelos em sonhos
E os sonhos em pesadelos
Faz as estrelas brilharem
Brilharem de maneira maldita
Faz nos pular de alegria:
Como um infante moribundo sufocado pela dor.
Ela nos embriaga
Mas também nos faz cair
Implora para nos saciarmos de desejo
Desejo ilusório e incompleto
Ela nos prende
Sublime
Ditadora
Admirável
Imoral
Tortuosa
Verdadeira
Mas insana
Estranhamente insana...

OLHOS

Os meus olhos nos teus
Alma que vibra na visão
Sua imagem
Aquela que revela o caos em mim
A solidão caída demonstrada.

Verdadeira

Seu olhar
Meu sentir

Figura que entorpece
Embriaga minha lógica

Quadro alegre, sublime
Porém confuso, sombrio

Olhos
Seu olhar
Que não me vê
E não me sente...

Um olhar claro
Para você
Uma visão distorcida
Para mim.

O MENINO E A MONTANHA

Andando no espaço a esmo
Andando no caminho a esmo
O menino segue a montanha
O menino segue até a montanha

O menino tenta ser livre
E tenta se libertar
Se libertar do caminho do caos
Do caminho da escuridão

O menino quer ser livre
E no caminho que ele sente
Sente o canto de pardais
Sente o ar deslumbrante...seco

O menino vê as árvores
Vê as flores
Vê o rio que desce o monte
O menino pula, avança, vai...

O menino quer chegar a montanha
Quer pular sobre sua grama gelada
Sentir o perfume da relva
Olhar para o céu onde é mais azul

E lá está o menino
O menino na montanha
Está sorrindo como um... menino
Flutuando como um garoto

Lá está sua paz...
Na montanha
Cheia de vida
Cheia de luz
Cheia de amor

O menino agora é a montanha
O menino agora se transformou em luar
Na lua cega que seduz o pobre
Na noite negra que apavora o aço

Segue agora menino
A paz está contigo...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

MARKETING POÉTICO

A mulher e o menino estavam sentados lado a lado no ônibus. Ele olhava para ela com ternura e ela, com seu ar de graça, correspondia ao seu olhar, apenas ao seu olhar, sem nenhuma ternura, apenas com a graciosa frieza da amizade. Era noite quando isso aconteceu. As luzes da cidade pulavam saltitantes nas janelas. A escuridão do veículo escondia os rostos e revelava os sentimentos,
E o garoto sentiu a dor
Do não em seu coração
E ele tentou questionar
Através do seu tempo passado
O porque das barreiras das mulheres dignas
E viu, tão somente, que o seu carro não existia
Muito menos o seu dinheiro
Aí ele tentou desvendar o mapa da mulher
E em meio a uma alma de vaidades
Sentiu o som
O som da ternura e o
Som do amor.

Mas quem disse que você é poeta?
O que é um poeta?
O poeta é semelhante a um mendigo
Que não escolheu estar ali,
Nas amarguras da vida.
Não usou nenhuma técnica
E quando notou
Estava lá
Engolindo o gás carbônico
De robôs sonhadores.

O reino dos poetas é semelhante ao do digitador
Que se sente satisfeito por escrever aquelas laudas
Gigantescas laudas
Mas só ele se satisfaz com aquilo
E os outros?
Os outros estão se globalizando
Nas tv's-sepulcros-digitais
Ou nas revistas de seios grandes
Mas aguardem um momento
Pois o comercial chegou na poesia:

"Escute agora o CD Músicas Perfeitas. São perfeitas. Depois de várias pesquisas e testes conseguimos a perfeição. Você não precisa ter um gosto musical para ouvir "Musicas Perfeitas". Elas são perfeitas. Todos ouvem e gostam. Pois perfeitas elas são. Pois te dão o prazer, de se esquecer de tudo, e não pensar a respeito de tudo. Já nas lojas ou disponível na Internet: "www.musicasperfeitas.com.br" "

Agora voltemos a poesia
Que não é vendida em botequins de esquina
Sim pois ela não compete
Com a garota da Antarctica

Então eu decreto que o fim está próximo!
Olhe para o céu
E acompanhe os sinais
Mas não espere que os prédios de concreto caiam
A única coisa que irá desabar
Será a alma humana

Mas a ternura das flores está nas crianças
Que são lousas brancas
Da maldade alheia

Você viu o olhar de uma criança?
Já chegou a conclusão que um dia você foi assim?
A pureza da criança (É um chavão sim e daí?)
É tão forte
Que quando crescemos
Nos esquecemos completamente,
Para não quereremos voltar
Ao paraíso que caiu.

E o menino que estava sentado
No ônibus do sentir...
...reparou que a vida não era só aquela moça. E resolveu parar no próximo ponto. Para assim olhar com gratidão o céu azul acinzentado da cidade e seus prédios antigos, embora perfeitos. A moça seguiu sua jornada, sem ao menos perceber, que a poesia se sentava ao seu lado.

VERMELHO PULSANTE

Nas árvores urbanas de concreto
Pode se ver
Dentro delas
A seiva vital do ser humano

E se você, colocar uma lente de aumento
Notará
A força marcante
Daqueles que matam o cotidiano

Naquelas faces não alegres
Brilha
Fugaz
O desejo ardente do Sábado e Domingo

E assim todos esperam,
Suportando calados
O superior
Para que nos dias sagrados
Se transformem neles mesmos
Capazes portanto
De inalar com desejo
O doce ar negro da noite

E desta maneira a flor
Que antes era cinza
Se torna em
Vermelho
Pulsante

quarta-feira, 6 de maio de 2009

MESTRES

Se hoje vamos falar sobre Deus
Vamos falar sobre liberdade.
Todos os grilhões que são presos
em nossos braços. Estes grilhões que agora
são compostos de chip e eletrodos, não passam
de cascas que escondem a nossa própria alma.

Um dia um sábio disse que o lar do homem é
a sua mente. Então nestes dias digamos que
os nossos lares são arrombados e as divas
que reinam em nossas mentes são estupradas.

Mas devemos ser "normais", sim "normais"!
Engolir todo lixo que é dado a nós, dizer
amém a um mundo que finge ter sanidade
Mas é insano!

Ora, eu quero a minha própria insanidade.
Quero ser sábio, louco, palhaço e idiota ao mesmo tempo.

Não quero olhar apenas para bunda saltitantes
ou para delírios de poetas menores!

Gostaria de experimentar o manjar dos deuses!
Saber o que significa "a coisa", aquilo ou aquilo outro!

Um grande mestre decorava expressões de loucos e mesmo assim era chamado de louco. Depois nossa raça o chamou de mestre dos mestres, mas e agora, aonde estão os loucos?

Será que estão como eu, sentados na poltrona de um dia chuvoso, espumando de raiva por estar em um povoado de idiotas?
Ou será que estão nos risos e nas chacotas dos "humanos" de verdade que "imprimem"as suas verdades impostas a eles mesmos?

Eu gostaria de sentir mais do que isto tudo. Gostaria que existisse um pouquinho mais de "loucura" neste mundo. Nada de cálculos ou planos de marketing ou de mídia. Nada de "estatísticas corretas e verdadeiras."

Talvez algo insano que um dia foi chamado de arte poderia resolver alguma coisa!

Eu? Eu sou apenas o louco de Erasmo no "Elogio da Loucura" que dizia que seu quadro, o seu pobre e velho quadro, era mais belo que qualquer obra já feita por um grande mestre.


Dedicado a Erasmo de Rotterdam, Da Vinci e Hegel

O DIA

O dia hoje amanheceu
E você não estava mais aqui
Aí eu me lembrei dos sonhos e promessas
E quando me dei por conta...
Só os seus traços existiam.

Hoje existo porque sonho
Se não olhasse para frente
Não estaria mais aqui

É em volta de ti que sonho
De sua face e do som da tua voz
E se eu perdi parte de mim
E arranquei parte de você
Foi para que não tivesse mais fim

Hoje é o dia
Esta é a hora
Não ouço mais choro de crianças
Nem o canto dos demônios
Apenas cabelos negros soltos ao vento.

Talvez não estar feliz faz parte do dia
Talvez algo foi embora
E se foi, gostaria que voltasse

Mas ainda respiro
E ouço ainda minha alma clamar por você!
Se seu choro e sua dor agora triunfam
Minha paz hoje não será mais a mesma

Hoje gostaria de te ver sorrir novamente
Mas como sorrir em dias de tempestades?
Se o vento corta e o frio queima, porque sorrir?

Hoje aprendi que cometi apenas um erro
O grande erro de te amar
Sou apenas um homem que ama
Talvez eu possa morrer por este erro
Mas, com certeza,
Não existe maneira melhor
Ou mais bela
De se morrer!

terça-feira, 5 de maio de 2009

LÁ ESTÁ A GLÓRIA

E um deus apareceu diante de mim
Junto a isso pássaros negros cantavam
E um novo herói comia maçãs
Enquanto aguardava sua amada

De toda esta euforia técnica
A droga vem como uma rapsódia
Abrindo a visão para o sangue
Outrora derramado

Deveras junto ao farol
Milhares de peixes acendem
Esperando o Cristo já morto
Que implora para os seus amigos
Clamando sobre glória e vingança

Se hoje eu te vi como um deus
Quem dera estar bem longe
Para esquecer o meu passado
E fugir para um mundo mais decente e justo

Mas a aurora chega agora
E com ela as luzes dos xamãs
E penso junto com os nativos
Como a floresta é verde
Sim toda ensangüentada
Cheia de panos podres
E o odor daqueles mortos

E lá está aquele pássaro novamente
Negro como um céu noturno
Subestimando a minha glória
E ralhando com o meu sofrer

Se a tempestade continuar
Quero ter abraçar a última vez
E com meus amigos ver o fim
Que chega quieto como ladrão
Mas entorpecente como o álcool dos tolos

SEM TÍTULO

Quando te vi com toda sua glória
O meu despertar foi confuso, mas, hostil.
Quem dera hora hoje estar nas colinas da paz.
E notar como as nuvens da esperança...
Ainda brilham contaminando meu sofrer.
Mas estamos em dias de festas!
E os seus olhos já não são mais os mesmos.
Suas verdades
Já estão mais e mais distantes...

ESCURIDÃO

Quando o desespero se torna forte
Algo lógico tenta explodir em mim
Mas hoje, quando o caos me domina
Sinto que os pesadelos tétricos podem acabar
Sim, por um instante amigo, sinto a manhã ficar vermelha novamente.
Que hoje o sol reconheça as minhas ações
Que hoje ele veja meus defeitos

Quero que Deus tenha piedade de mim.

VIDRO

Lá estava ela
Minha nação
Sórdida companheira
Comida amigável para corvos

Se agora minha esperança é sorvida
Não é mais por causa de ti
É pela primavera que agora se aproxima
Repleta de flores vermelhas, sangue e parafina

Agora elas não olham mais para mim
Todas de branco esperando o bode chegar
Para que as mais lindas mazelas
Se tornem altar nos castos cascos das mesas

Se de ti espero um sonho
Este se tornará vil em corações gelados
Pois a terra treme na situação
E a aurora é negra para quem quer te servir

AMBAR, PEDRAS E CASCALHOS

Ei, onde estava a carranca?
Defendendo os barcos da miséria sem fim.
Ei, onde estava o ouro?
Sendo aquecido para ser dado aos deuses.

É por isso que ainda mergulho no esverdeado oceano das nações. Resta pouco para esperar a amada. Sim, resta pouco.

Ei, onde está o poeta e sua mãe?
Estão chorando sozinhos no horizonte das causas perdidas.

GUERRA NAS ESTRELAS 2

De todas as guerras
Esta foi a pior
O sangue estava fora das veias.
Os tambores maiores ainda.

Não pense nas chagas
Se elas estão estuporadas
Entre todas estas ulcerações
Ainda nasce uma flor.

Quente
Saudável
Úmida
Junto a laços de lagarta.

Há uma cantoria lá fora
E pedras sendo jogadas nas cabeças.
Mas não se desespere,
Nosso fim chegará sem dor.

BRANCO

E quando a liberdade chegar
Desejo estar no templo
Vestido de branco
Nu para Deus

E quando a aurora chegar
E os ascetas chegarem
Quero sentir o perfume dos cravos
E o canto dos corvos

Quando assim te ver liberdade
Quero cantar poemas
Para que a dor não chegue nunca mais
Para que eu possa ver os seios da terra
Mais uma vez

Disseram para mim que você estava feliz aquele dia?
Vamos dançar novamente naqueles céus?
Vamos esperar mais uma vez a liberdade?

SEM TÍTULO

Poder do lirismo absoluto
Das músicas dos deuses
Dos gritos dos magnatas

Poder destruidor da razão
Das formas passadas
Das formas do por vir

Ódio insano versos a rude moral, moral tempestuosa que tumultua os sonhos dos fracos o qual consomem a ira das velhas mortas que parecem dormir sobre os montes empíricos dos astros alvejantes.

Poder lírico destruidor do caos
Aquele que ama prova que é deus
Que prova que é insano
Que prova ser o tudo

segunda-feira, 4 de maio de 2009

SOL

Boca grande
Em olhos tristes
Nuca quente
Em chuva de Agosto
Comida fria
Nos passos juvenis
Alarme falso
No Sol que ainda sai

PROJETO

Lá está ele
Aquele breve pedaço do passado
Que pula no pescoço
E me leva para o abismo do inferno

Onde os túneis são de fogo
Onde a luz está intensa
Onde...

Estou olhando aquela mulher
Que austera em seu corpo
Balbucia palavras de amor
Mas seu homem não está lá
Aonde estaria o seu amor?

Ele está com um revolver em punho
Sozinho em um quarto vermelho
As bestas estão do seu lado

Enquanto isso a escuridão encanta...

Durma comigo hoje
E veja como o mais belo anjo
Está caindo, desesperado de desejo:
Uma estrela cadente vazia,
Hoje um silêncio úmido, frio
Amanhã palavras cortantes, desgraça

Adeus mulheres do sul!
Hoje viajo para fonte
Lá a água borbulha
Ainda posso ver os velhos cantando
Eles ainda pedem mirra
Mas só existe água na fonte

Cantem comigo pequenos monges!
Aquela mulher está nua!
Posso ver ainda seus lábios!
E sim, aqueles pelos que ainda o protegem...

Esqueça meu velho amigo
Viver ainda é uma mentira
Que os sábios insistem em descobrir
E o que conseguem
É apenas mais e mais mentiras

SONHOS FAZEM CANÇÃO

E se eu respirar?
Que diferença irá fazer?
Será apenas mais uma respirada

E se eu pintar um quadro?
Que diferença irá ter?
Não será apenas mais um quadro?

E se eu trabalhar?
Que diferença isso faz?
Seria mais um trabalhando

E seu sofrer?
Que diferença faz?
Não será apenas mais um sofrendo?

E se eu escrever?
Que diferença irá fazer?
Ora, não será apenas mais um tolo que escreve?

E se eu quiser ser poeta?
Deus, que diferença fará!?
Não serei apenas mais um poeta?
Um anônimo, malogrado e esquecido poeta?

TIRO

Esta poesia é seca como um tiro
Um tiro urbano
Um som forte em meio ao caos
Cinza

Quem é que morre realmente?
Aquele que atira e mata
Ou aquele que leva o tiro e morre?

Quem está vivo de verdade?
Os homens louros de Ferrari
Ou os mendigos cansados da Sé?

Esta poesia é seca como uma pergunta
Um tombo urbano
Um som apagado entre as vilas
Cinzas

domingo, 3 de maio de 2009

APRESENTAÇÃO

Estes são cerca de 90% dos poemas que fiz na década de 90 e começo de 2000, eu os chamo de Antiguidades. São poucos na verdade, mas embriões de uma fase de intensa produção poética que foi o ano de 2004 para mim.
Eles seguem a linha de “poemas de desabafo” e eu até poderia intitulá-los de “vômitos”, por que são isso mesmo: regurgitações de alimentos indigestos sugeridos pela época em que eu vivia. É obvio que isso acontece ainda hoje, mas minha resposta através da arte é um pouco mais carregada de lirismo e coerência.
As influências vão do romantismo, modernismo e surrealismo, este último o mais intenso por se tratar de um estado de arte mais coerente ao meu modo de viver e ver as coisas naquela época.
Por isso, se alguém um dia ousar ler estas palavras, verá poemas quase sem sentido como Noé e Homenageio Maçãs porém os considero fortes o suficiente para provar que Duchamp, Breton e Dalí foram expressivos o bastante para marcarem a vida de um pobre suburbano terceiro-mundista brasileiro da década de noventa: eu.
A grande maioria deles não busca um ritmo ou harmonia ordenada, pelo contrário, a falta de ritmo demonstra o pensamento pessimista e masoquista desta fase. Algo que até poetas não muito catedráticos repudiariam.
Acredito que são bons “poemas”ou “vômitos”, mas, para ser sincero, não espero que muitos gostem. Afinal de contas, arte para mim é, antes de tudo, ser sincero comigo mesmo.
Tudo bem, não espero que gostem ou não gostem afinal, apenas torço para que sintam, isso já é o suficiente para me deixar um pouco mais aliviado.

SÍNTESE

Acontece que eu bebi o conhaque
Sufoquei as linhas
Embebi a paixão
E
O meu corpo enfraqueceu

Fraco, cheio de suor
Este zunido que não acaba mais
Pois é um pedaço do inferno
Sim; um pedaço de você

Amigo
Me cansei
Aquelas pedras ainda cortam os pés
Entretanto
Ainda vejo cordeiros
E suas vísceras caídas ao chão
E também
A minha estonteante
E arfante
Solidão

Fortaleço meus ossos
Andando e buscando a paz
Caminhando, caminhando, caminhando
E vejo a luz passar por mim
Um trem está lá dentro
Suas linhas não as vejo

O pateta sorri
E a dor da fronte continua
Como uma faixa
Tentando me fazer esquecer
Das profecias do porvir

Insólito e sozinho
Tudo ao mesmo tempo
Tento recuperar os músculos
Mas algo não me deixa
Algo não me deixa
Algo não me deixa

AFORISMO

Ser artista não é pensar
É agir
E gritar em um mundo surdo

QUE ME DESCULPEM AS CORUJAS

Que vocês me perdoem
De estar aqui
Neste lugar onde
Sou apenas Baco
No reino de Fausto

Por favor olhem-me

E me vejam na cama
Bebendo cerveja
Dormindo só
Pensando nas ninfas
Beijando acordado

Lá está a corda

Do outro lado o abismo
Em cima o trapezista
Atrás os poetas
Na frente os reis
Em frente os políticos

Afastem de mim esta carne!

Carnificina de inocentes
Onde vocês me vêem
Pobre e senil
Pensando longínquo
Saciando o torpor

Vão embora protestantes!

Pois eu protesto
Sim eu protesto
Ás águas estão em mim
Eu sou um rio gélido e livre
Matei as crianças da guerra
Subjuguei cadelas e vacas
E lá estavam suas mamas
Jorrando sangue político
Como um "pus ingênuo"
De uma infecção profética
Gerada no filho da dor

Que me desculpem as corujas
Eu ainda sou sonhador!

GUERRA NAS ESTRELAS

Chinelo nos pés
Dedões abertos
Uma rede dançante
Lareira acesa

Estamos bem hoje
A canela brilha
O suor respinga
As mãos ficam ásperas

Um copo na mão
Laranjada na cuia
Castanhas lá fora
O Sol da manhã

Estamos contentes hoje
Um batom perfumado
Trouxe papéis para mesa
Um cachorro no tapete
Três acordes para ti

Vejo pratos no chão
Farelos de pão
Lampiões acesos
Pirilampos no vão

Estamos felizes hoje
A porta está aberta
A noitinha já vem
O meu filho chegou

É hora do chá
Sonolência no peito
Coração cansado
Aonde a brisa sustenta
Sob as águas paradas
O zunir de pássaros
Um sorriso de noiva
E a canção perdida

HOMENAGEIO MAÇÃS

Quando estava em Nova Deli
E vi Jericó ao luar
Ingeri pingüins alados
Misturados com pedras de gelo

(Disseram a ela no pomar)
Sem sossego
Com desprezo

(Para com isso Tristam)
As peles são secas
Gotejantes e
Gotejantes

Olhei as loirinhas sim
Eram de Renoir
Estavam chorando
Com morcegos a bradar

(De ventos fúlgidos)
Ela não quis
Falei com ela
Ela não quis

O escravo castrado!
Eu pensei em Martin
Ele estava na cruz
Com ele
Os anões inocentes
Ralhando com todos
Inalando o Vesúvio

(Pobres crianças da manhã, o menino esta com pedras e atabaque na mão e com o nariz começou a coçar, vamos adiante, vamos adiante...)

POBRE ESPERANÇA

Bebo água para fortificar os meus ossos
O meu corpo pede, e eu aceito
O odor renasce
A pele muda

Sangro-me mais uma vez
Digo que te amo
Peço-te para que não vá
Mas você possui as leis
E eu sou apenas o réu

Canso-me mais uma vez de ver a árvore
Seca em seus troncos caídos
Então, as vespas se disfarçam
E eu penso em você mais uma vez

O trigo dança com o vento
Seus bagos pesam
E os vejo como homens
Apenas desejo o alimento: o pão

Peço para meu irmão o cigarro
E antes sinto o chão frio
E o meu corpo como um boneco
Livre lá em cima
Faz-se alegre para cantar mais uma vez

Estou tossindo para respirar
E vendo aquele anjo de branco
Que com seus cabelos longos e sua barba
Me faz ainda esperar aqui

Pobre esperança!
Pobre esperança!

Você não me quis ouvir
Talvez fosse melhor para nós
Suas evidencias eram tão fortes
Suas idéias eram tão fortes
Mas não ligue para mim
Apenas queria sua dignidade

Dançando no quarto ainda te vejo
E as pombas voam tranqüilas
Embriagadas com as uvas do cesto
Encantadas com aquela linda manhã
Tão belas quanto você
Mas não chore esta noite!
Não, não vá esta noite!

Pobre esperança!
Hó, pobre esperança!

Todos eles me oferecem o vinho da ignorância
É, estou cego para todos
Sim, ninguém me vê
Mas sei que ainda posso continuar
Então vamos em frente

Você não virá esta noite
Mas ainda te espero
Ainda te espero
Sim, pobre esperança
Pobre e frugal esperança!

BASTILHA

Hoje veremos a queda!
Adeus bastilha!
Adeus bastilha minha!

Hoje os jovens venceram
Seus pais lhe perdoaram
Sim, seus professores também

Seus filhos não nasceram
Suas drogas chegaram
Pois a música tocou

É, nossos ídolos não morreram
Foi apenas um sonho
Eles estão vivos naquele palco

Cantem comigo irmãs
A tempestade já passou
Eles não querem mais nosso sangue

Aquilo foi passado
Nossa vida, agora é nossa
Podemos viver sim!
Eles não se intrometem mais
Eles não nos guiam mais
Alegrem-se! Nós não somos mais cavalos

Que eles continuem a se masturbar
Engolindo o capital e o Estado
Não queremos lixos de velhos
Queremos a vida
Queremos esquecer de suas regras

Bastilha minha!
Bastilha minha!

"Eu tenho um sonho."
"O sonho acabou."
O final está próximo
O fim está próximo jovens irmãos

sábado, 2 de maio de 2009

UVAS NO QUINTAL

E aí eu te chamei
E fomos juntos então
Observar aquela manhã apocalíptica
Onde o Sol iluminava pulsante
As vítimas insanas do amor

E conversei então com o velho avô ódio
Que falou para sua irmã tristeza
Que disse a sua filha melancolia
Que pardais e corvos são os mesmos
Anunciam a morte para jovens e velhos

Então vamos para terra do nada!
E lá sonhar que os mares são nossos
Mesmo dizendo que isso é irreal
Que toda virtude é tardia
Neste mundo frio e cruel

Não quero mais sentir cachoeiras de sangue
Um pouco de mel também é bom amigo
Pois todos estes atritos, guerras, ódio, ilusão
Ainda que marcantes e cheios de dor e vingança
Podem ser cortados com um simples e mero abraço

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Boletim Aroeira do Espaço Mané Garrincha

http://www.sendspace.com/file/a18jaz

QUANDO FRIO O CHEGA.

Não penso mais naquele homem triste
As vezes aquela crise foi passageira
Quem dera eu tivesse a força de livrar os doentes
Os insetos que agora clamam
Talvez meu inferno fosse um pouco mais frio
Mas não
Acordamos como baratas em todo lugar
Querendo ser algo além de nós mesmos
Eu gostaria de ser um inseto melhor
Mas agora vou me calar
Pois a pressão do dia e dos fantasmas quer aparecer
E amanhã?
Talvez amanhã eu acorde menos inseto do que fui hoje

(Dedicado a Gregor, não a Kafka, pois Gregor foi maior do que ele.)

SEJA FELIZ COM COCA COLA

Hoje amanheci como uma esmeralda
E pensei nos jovens que um dia amei
Seus amigos não estão mais aqui
A consciência fala
E eu a repudio

Nos dias de luta
Nos dias de glória

Glória fez sexo com animais
Eu vi
Ela se prostituiu com políticos
Chupou o pênis da ignorância
Então pensei nos jovens
E vi hospitais

Nos dias de luta
Nos dias de vitória

Vitória faz amor com padres
Eles dão risada do povo
A comédia está nos seus dentes
Dourados de tanto ouro
Pretos de tanta carne

Hoje eu vi hospitais
E vi senhoras tomando soro
Vi as carnes dos pobres caírem
Vi as crianças com hepatite
Via as modelos da Forum transando

Dando a bunda para os playboys
Enquanto os mendigos choram e dormem
E em suas barbas crescem piolhos
E sim, os vermes estão nos corpos

Nos dias de luta
Nos dias de Bianca

A cocaína emerge no sangue da cidade
Meus irmãos emachonhados esquecem
Que os Estado sodomiza o país
E faz propaganda pregando mentiras
E a barca do inferno segue feliz
Com a pilhagem dos mártires a frente

Hoje é sexta-feira
Vou tomar cerveja e encher meu fígado
De alcool, cortizóides e anfetaminas
E vou me esquecer das bombas explodindo
Do bife cortado
Dos animais humilhados
Do meu povo querido
Do meu Brasil sofrido
Da minha pátria cansada

A FACA

Ainda posso te ver
Com seus cabelos longos
Chamando-me na escuridão

Olhos ardentes
Com rostos em chamas
Na penumbra inquieta
No luar amargo

Hoje eu esqueci de mim
Não olho mais para faca
Ela não está mais em meu pescoço
Está em você

Quando te ver outra vez
Ela estará em seu corpo
Dividirá a sua alma
Escarnecerá a tua fé

Mas estarei bem longe
Nas terras silvestres
Brincando com meus heróis
Empalhando as aranhas

Até breve concubina
Vejo-te quando o Sol raiar

MEU MÁRMORE

Aqui é a Grécia amada
Surrada pelo desespero
Branca junto a mármores toscos
Ventos que ressoam canções
E orquídeas defloradas por sêmen

Depois sim procurei a rima
E ela estava lá, escondida
Nas pedras lisas da desilusão
Mas era intocável como o ar
E intragável como o vento!

Inalcançável, ela zomba de mim
Ri do meu talento
Humilha minha ignorância
Pois quando vejo aqueles mártires
Sei que eles não morreram em vão
Tiveram talento, talento até para morrer

Me dê o leite cadela
Faça como fez com aqueles homens
Aqueles filhos do ódio que fundaram a cidade
Vilarejo dos anjos e santos da morte

Odores banidos mesclados ao ar

Aonde vi Morpheus fumando cachimbo
Ariane zombando dos pombos
Inocentes jogados ao mar
Poetas sufocados por sons

Sal grosso temperado a seco
Portadores de revistas pagãs
Museus quebrados por penas
Vivencia gerada e rãs
Cremados os corpos dos réus
E
Infelizmente
Que pena
A tarde acabou!

Vai-te mulher agora!
Quero-te longe da minha vida!
Sou o passageiro da luz
E quando encontro a escuridão
Os seios da morte sorriem para mim

IDIOSSINCRASIA

Sai semem do meu pênis
Saem cacos do meu nariz
Sai sangue do meu braço

Espere...
Isto é nojento!
Não, não é nojento

Nojento é:
Prometer dar aos pobres e não cumprir
É fingir ser sábio sendo falso profeta
É conseguir a confiança do povo e pisá-lo depois
É fingir amar aquele que possui ostentações

Nojento é...
Matar sem se preocupar
Roubar dos humildes enquanto estes trabalham
Rir dos mendigos enquanto se toma vinho
Humilhar os feios e zombar dos oprimidos
Negar emprego a quem não tem experiência

Nojento é:
Enganar as pessoas com notícias ruins
Manipular o povo com a mídia
É negar ajuda a um grande amigo
É zombar da desgraça alheia
É deixar um país na miséria e dizer que está tudo bem

Sai a consciência da minha mente
Sai a sabedoria da minha alma
Sai a arte e a calma de meu corpo

Meu Deus! Tudo isso é nojento?

Não, não é nojento.
Nojento é estar em um país lindo , corrompido por gigantes que insistem em humilhar o seu povo.