domingo, 8 de novembro de 2009

SEMENTE

Me desculpe se não falei de amor
É que meu amor não é direto no poema
Ele está entre as palavras
Entre as linhas

Peço desculpas se minhas palavras são afiadas
Serrilhadas
Destroçadas

É que o amor aqui demonstrado
É amor revolucionário
Não amor de quarto
Egoísta em seu próprio sofrimento
É amor expansivo para todos

Condecoro-me poeta do caos
Para colocar a desordem nos poemas
E demonstrar que esta vida é eternamente desordenada
Uma desordem lírica que se transforma em arte
Uma desordem caótica que a transforma em ordem

Me desculpe pelas palavras toscas
Pela má poesia
E pela revolta

É que eu vislumbro todo este contexto
Como uma obra prima
Algo que só é corrompido
Pela "pobreza humana"

Mas os livros são minhas escopetas
E Kafka, Morus e Morison
Minhas munições
Os meus tiros são dados com palavras
Mas não são tiros de chumbo
São tiros de "verdade" que amargam a mente
Mais do que isto
São sementes que não mentem

Não dizem somente que o céu é azul
Dizem que manchamos veementemente este céu de vermelho

E é assim

Que tão somente

Escrevo

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