terça-feira, 19 de maio de 2009

SENZALA DE FERRO

Você nasce para consumir,
E ser consumido.
O seu coração não é livre.
Afinal de contas o que é liberdade?

Quando você olha para os seus irmãos
Na senzala de ferro
Você não sente?
Quando os vê pendurados nas barras de ferro,
por acado não te lembram Jesus?

É difícil acreditar, que não reagimos...
Estamos sufocados e sentados as 6:10 da tarde na lagarta de metal.
Aonde estão nossos heróis?
Será que temos algum?

Você já olhou para os olhos deles?
Será que você viu alguma esperança?
Alguns sentados e outros de pé na senzala ambulante.
Será que eles querem ser felizes?

Os anos passam, você envelhece e logo mais vão lhe dizer que você não é mais produtivo.
E aí? Até onde vai nossa dignidade?
E a até onde vai o nosso querer?

O nosso corpo vira matéria gasta e
Nossas forças se esvaem...
Será que realmente somos livres?
Será que isso tudo é necessário?
Será que vai ser sempre assim?
Será que vamos nos esbarrar na estações da vida,
E nem sequer dizer um: Desculpe, uns para os outros?

Existem vidas dentro dos navios negreiros de ferro.
Cada um tem sua história:

A dona Odete pensa em como pagar os estudos da filha. O Macedo procura mulheres na sexta-feira. A mãe do Flávio está com câncer no ovário. Joana tem todo o seu enxoval de noiva completo, só falta o pretendente. O Mário comprou um celular e a Maria está apaixonada por ele...Paulo esta com medo pois está tendo corte na firma. Carlos é religioso e não falta um domingo na missa. Valéria faz faculdade paga, todo o dinheiro do seu salário vai embora. Amanhã é aniversário da Aninha, 32 anos. Marcos vai ser papai e sua mãe Délia está gripada.

São tantos...
Tantas...vidas

Abafadas no trem desalmado.

Com seus orgulhos feridos sem ter a quem recorrer.
Mulheres grávidas de pé
Senhoras gastas chorando
Risos nervosos e alienados.

Até quando isto irá acabar?

Olhamos para o céu,
E em meio a gases tóxicos vemos um entardecer escarlate
As nuvens estão revoltas,
Apocalípticas.

Estamos presos em uma cadeia onde as grades são de vidro.

Lá em cima
Os helicópteros voam
Como Hermes, mensageiros da possessão do homem contra o homem.

E você, aonde está agora?

Estará chorando pelo seu dinheiro maldito?
Está sentindo ódio do seu castigo?

Estes pensamentos não são meus,
Voam na cabeça de todos.
Mas para agir requer coragem,
E a coragem hoje
Virou sinônimo de fome.

Então que assim seja!
Que nossos corpos mortos sejam selados em covas rasas;
Pois o que nos resta é a semi-vida que doa de maneira forçada
A vida de verdade para os grandes.

Posto que a minha e a sua força vital
Mancham de sangue as paredes de nossas casas, perguntas resistem:
Qual sangue que de lá irá brotar?
O sangue assassinado das senzalas ou o sangue vermelho vivo da revolta?

Que Deus tenha piedade de nós.

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