PARTE I
Ela sim é um sonho o qual eu não posso tocar
Nesta vida de proibições esta é a proibição mais doída
Mais proibida
Redundantemente mais proibida
São olhos que não posso ver
Uma pele que não posso tocar
Um sentido que não posso sentir
Quem me dera que sua alma me desejasse
Talvez assim eu poderia me tornar um sonho
Talvez assim eu poderia me tornar eu mesmo
Mas é perigoso ser você mesmo
Aqui, neste mundo, isto é demoníaco
Ela me chama, ou melhor...
Sua chama me chama, não ela...
Ela chama a outros, outras chamas
E minha chama fica só
O meu chamar fica só
Tênue como um corisco
Gostaria de ser um Júpiter
Tão belamente esculpido por um Michelangelo
Mas, meus músculos são atrofiados
E minha pele é branca transparente
Não tenho força...
Não tenho dotes...
Não tenho terras...
Não tenho carros...
Sou apenas um ser que tenta pensar
Em um mundo onde se pensar é pesaroso
Difícil para mim é tentar fazê-lo
É como se todos nós fossemos proibidos
Proibidos de ousar pensar...
PARTE II
Mas o meu amor é real
Eu posso tocá-lo
Eu posso senti-lo
O meu amor é algo do qual lutei
É um amor verdadeiro
No amor verdadeiro doam-se as roupas
Sem se arrepender
O meu amor é sereno
Tão castamente sereno que me faz sentir humano
Me faz sentir natural
Uma natureza mentirosa para muitos
Uma verdade soberana para mim
O amor de verdade não é perfeito
Ele te libera e ao mesmo tempo te castra
Ele prende o seu sentir para um sentir mais honrado
Ele troca o vinho de Baco pelo néctar dos deuses
O amor não é humano
O amor provém do homem para ele não ser homem
O amor condiciona as SUAS verdades
Para que as nossas verdades não sejam verdades
Mas sim devaneios, devaneios de animais loucos
O meu amor é só meu
É tragédia para muitos
É poesia para alguns
É morte para mim
É vida ao mesmo tempo
PARTE III
Quando o fruto do meu amor chegar
Nele poderei encontrar algo de mim
Talvez seja verdade mesmo
Talvez a força que temos não vem de nós
Mas daqueles ao qual concebemos
A vida é assim
Você vive junto com outra vidas
Você vive para criar outras vidas
Pra que estas vidas possam viver
Com outras vidas e assim
Dar seguimento a vida
Quando "ela'" chegar
(E espero que isso aconteça)
Gostaria que ela não visse este mundo
Assim como eu o vejo
Gostaria que "ela'" pudesse tomar o seu café da manhã tranquilamente
Ir para o trabalho sem nenhum desespero
Sonhar com amores de maneira adocicada
Almoçar tranquilamente enfim...
Ser uma pessoa comum...
Mas será que é verdade?
Será que todos a minha volta são comuns?
Ser comum então é seguir tranquilamente a vida?
Eu não sou comum, eu brinco de ser comum...
Neste cotidiano eu finjo ser comum
Não levo a sério este negócio de ser comum
Talvez é isso que eu queira nela
Que ela seja adulta assim como não sou
Que ela leve a sério o que eu acho brincadeira
Quando "ela'" chegar
(E espero que isso aconteça)
Vou lhe mostrar o que o poeta falou sobre o "Giz"
Vou tentar ser um criança como "ela'"
Uma criança que ainda finjo ser
PARTE IV
Todos nós lutamos por dinheiro
Temos oito horas de teatro por dia
Fingimos ser amigos dos inimigos
Fingimos ser inimigos daqueles que...
Poderiam ser nossos amigos
Na fábrica você é forçado a ser
Um homem sério
Você faz aquilo que te mandam fazer
Para depois "nos dias de não escravidão"
Você mandar os outros fazerem
Aquilo que eles não querem fazer
Você corre lado a lado com seu amigo
Mas não quer que ele te ultrapasse
E se ele cair?
Não importa, você ainda está correndo
E se ele te der uma rasteira?
Ele é um maldito mas aguarde...
Sua hora irá chegar!
Assim é o mundo
PARTE V
Oh Jeová!
Oh Sócrates!
Oh Platão!
Oh Aristóteles!
Oh Sêneca!
Oh Aquino!
Oh Morus!
Oh Erasmo!
Oh Descartes!
Oh Newton!
Oh Nietzsche!
Oh Marx!
Oh Wittgenstein!
Oh Foucault!
Oh dores do mundo!
Todos você tiveram um parto e deram partes destes partos para mim. E agora para onde vou partir? O que eu quero realmente procurar sendo que sei que vocês não encontraram o que procuravam?
Eu reflito sobre a vida
E vejo nela um reflexo
Um espelho de coisas já vividas
Vidas que são diferentes
E ao mesmo tempo iguais
Sou apenas mais um ser cumprindo um ciclo
Assim todos foram...
Que me adianta a fama?
Que me adianta ser o melhor?
Se não posso viver mais cem anos!
Gostaria de ser um paria
Que vive nos guetos
Nas condições mais imundas
Mas que pudesse viver mais cinquenta anos
Ou talvez mais vinte e cinco
Se pudéssemos barganhar com Deus
Eu vejo um futuro de filhos marcados
Globalizados e ultrajados
Involuntários sangrados, rejeitados e humilhados
Donos de uma nação sem dono
Inocentemente estuprados as oito e as dez nas suas salas
Globalizados
Engolindo fatos inventados
Comprando sonhos simulados
Dissimulados
Engolindo a verdadeira arte com enfado
Afogados
Gostando do que é fraco, retardado
Vivendo a vida de outros
Massacrados
É quixotesco ser um poeta!
Mais ridículo ainda um poeta semi-analfabeto!
Porque ser um poeta eu um mundo sem poesia?
A eletricidade matou a poesia
A tecnologia matou a poesia
Ser poeta hoje em dia é dançar com o fracasso!
Mas como é bom ser fracassado!
Como é bom ver a música nas flores
E a arte nas palavras
Como é bom saber ser diferente
Como é bom não lutar por dinheiro
Como é bom não se sentir "o melhor" por ter uma Mercedez -BENS estacionada na garagem
Como é bom não usar TNG
Com é bom não ter aquela loira da Playboy
Como é bom não tomar Blue Label
Como é bom andar na contra mão do que "eles" nos impõe
E dizem que é o modo de vida certo
Então esta é a sociedade?
A verdadeira verdade é ter uma mansão?
Ter uma Ferrari, beber Coca-Cola e sair com a nova playmate do mês?
Então é só isso que vocês me oferecem?
Ha, mas então eu fico com os meus sonhos
Porque tenho certeza que são tão irreais
Quanto os teus!
Então eu sigo esta vereda
Até Deus me colocar um ponto final
Como colocarei minha poesia
E tenho certeza
Que quando as minhas mortalhas forem colocadas
Elas não mostrarão nem um terço do que fui
Tenho certeza
Que o meu semblante de morte
Não mostrará nem uma vírgula
Desta Vida-Poema que agora vivo
Então eu sigo meu caminho
Sigo como um poeta
Pois todo poeta tem uma ferida eterna
Que tenta curar com as suas palavras
Todo poeta é uma viúva
Que chora pelo seu marido
Que é este mundo perdido
Todo poeta é uma criança indefesa
Vulnerável a todas as dores
Suas únicas forças estão nas palavras
Força fraca para todos
Fraca força para ele
Então aqui está minha fraqueza
Nestas palavras parcas de um português ruim
Nestes gritos pequenos que não serão ouvidos por ninguém
Mas aqui também está a minha força
A força que no passado mudou o mundo
E hoje só pode mudar a mim
Apenas a mim
domingo, 29 de novembro de 2009
ÔNIBUS NEGREIRO
Oh! Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
E veja
Dentro daquela caixa
As senhoras de pé
Os senhores de pé
E os garotos sentados
Note
Os humanos apertados
Junto com seus sonhos
Agora apertados
Imóveis, loucos...risonhos
Repare
O transpirar de sangue
As vozes impacientes
Uma barca de Dante
Os olhos carentes
Oh! Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
E veja
Nestas curvas fechadas
Os trabalhadores a ruir
Motoristas de almas marcadas
Como um leão prestes a rugir
Note
A criança com pneumonia
Sem saúde, sem nenhum plano
Que vive hoje com sua tia
Pois sua mãe está em desengano
Repare
Nas mãos daqueles pais
Calejadas de torturas
Possuidores de muitos ais
Almas cortadas por ranhuras
É aqui que deveria parar meu poema
Oh Deus!
Oh Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
Um povo sofrido de ser ver
Vida atribulada como o chacoalhar do Ônibus
As donzelas enganadas
Os garotos sofridos
Que buscam nos finais de semana
Os espíritos se lavarem
No sêmen do esquecimento
Na viagem da cocaína
Mas não são deles
Esta viagem
A viagem do ônibus é sombria
Ela caminha para o deus da Obrigação
Que hoje é tão bem servido
Como o Deus original
Oh Deus dos desgraçados!
Sorria agora
Com seu riso de ternura
Para os pobres miseráveis
Que cantam pedindo pão
Para aqueles que ficam sentados
Mas assim os meus pensamentos voam longe
Cercados de planos e desenganos
Eu também luto na vida
E junto com eles eu estou
E assim meus versos são profanos
Pois ninguém enxerga o que está a sua volta
Então muito menos estas palavras
Mas assim será meu canto. Longe de querer ser ouvido, sei bem que nada, nada do que se diz será cumprido. Meus irmãos estarão sempre no Ônibus Negreiro. Com seus sonhos e com suas ilusões. Preocupados com as bundas dos finais de semana. E se esquecendo ou fingindo esquecer das desilusões.
Oh Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
Eu busco qualquer miragem
Dentro da minha imagem
Que é gerada no meu pensar
Tento enganar a minha carne
Que agora chora em busca do sublime
Mas eu finjo-me de surdo
E me esqueço das minhas razões
E assim são meus versos
Livres e caótico
"Na voz de um "pensador""
Que ousa pensar
Em um lugar aonde isso é proibido
Não na forma feudal
Com donzelas de ferro e feridas
Mas na forma corriqueira
Das zombarias...foragidas
Eu não vou fugir do desengano
Pois os ataques me fizeram forte
Devemos antes de tudo agradecer
A aqueles que nos atacam
Pois o beijo da donzela apenas amansa a carne
Más o chicote do carrasco
Traz força a carne
Que não é calejada
Marcada
Descorada
E também é experiente
Não mente
E transforma a mente
E ônibus segue para a montanha
E o sol brilha no porvir
Transformando aquele momento único
Na verdadeira consumação da vida
Não parece
Mas lá também ela deve ser vivida
Peço desculpas por estes versos tolos e desconexos
Mas também devemos pedir desculpas a vida?
Não, devemos agradece-la
Até no ônibus
Onde não parece, mas o momento é vivido também
Então
Veja
Note
Repare
Oh Deus dos desgraçados!
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
E veja
Dentro daquela caixa
As senhoras de pé
Os senhores de pé
E os garotos sentados
Note
Os humanos apertados
Junto com seus sonhos
Agora apertados
Imóveis, loucos...risonhos
Repare
O transpirar de sangue
As vozes impacientes
Uma barca de Dante
Os olhos carentes
Oh! Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
E veja
Nestas curvas fechadas
Os trabalhadores a ruir
Motoristas de almas marcadas
Como um leão prestes a rugir
Note
A criança com pneumonia
Sem saúde, sem nenhum plano
Que vive hoje com sua tia
Pois sua mãe está em desengano
Repare
Nas mãos daqueles pais
Calejadas de torturas
Possuidores de muitos ais
Almas cortadas por ranhuras
É aqui que deveria parar meu poema
Oh Deus!
Oh Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
Um povo sofrido de ser ver
Vida atribulada como o chacoalhar do Ônibus
As donzelas enganadas
Os garotos sofridos
Que buscam nos finais de semana
Os espíritos se lavarem
No sêmen do esquecimento
Na viagem da cocaína
Mas não são deles
Esta viagem
A viagem do ônibus é sombria
Ela caminha para o deus da Obrigação
Que hoje é tão bem servido
Como o Deus original
Oh Deus dos desgraçados!
Sorria agora
Com seu riso de ternura
Para os pobres miseráveis
Que cantam pedindo pão
Para aqueles que ficam sentados
Mas assim os meus pensamentos voam longe
Cercados de planos e desenganos
Eu também luto na vida
E junto com eles eu estou
E assim meus versos são profanos
Pois ninguém enxerga o que está a sua volta
Então muito menos estas palavras
Mas assim será meu canto. Longe de querer ser ouvido, sei bem que nada, nada do que se diz será cumprido. Meus irmãos estarão sempre no Ônibus Negreiro. Com seus sonhos e com suas ilusões. Preocupados com as bundas dos finais de semana. E se esquecendo ou fingindo esquecer das desilusões.
Oh Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
Eu busco qualquer miragem
Dentro da minha imagem
Que é gerada no meu pensar
Tento enganar a minha carne
Que agora chora em busca do sublime
Mas eu finjo-me de surdo
E me esqueço das minhas razões
E assim são meus versos
Livres e caótico
"Na voz de um "pensador""
Que ousa pensar
Em um lugar aonde isso é proibido
Não na forma feudal
Com donzelas de ferro e feridas
Mas na forma corriqueira
Das zombarias...foragidas
Eu não vou fugir do desengano
Pois os ataques me fizeram forte
Devemos antes de tudo agradecer
A aqueles que nos atacam
Pois o beijo da donzela apenas amansa a carne
Más o chicote do carrasco
Traz força a carne
Que não é calejada
Marcada
Descorada
E também é experiente
Não mente
E transforma a mente
E ônibus segue para a montanha
E o sol brilha no porvir
Transformando aquele momento único
Na verdadeira consumação da vida
Não parece
Mas lá também ela deve ser vivida
Peço desculpas por estes versos tolos e desconexos
Mas também devemos pedir desculpas a vida?
Não, devemos agradece-la
Até no ônibus
Onde não parece, mas o momento é vivido também
Então
Veja
Note
Repare
Oh Deus dos desgraçados!
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
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