E você estava lá
Com os olhos repletos
Daquela água salgada
Que não salga o mar
Mas adocica a alma
E naquele momento
Aonde a força estava em mim
Tentei te congelar
Como uma estátua no vazio
Como uma estátua de gelo
Em cima do mármore que brilha
Porém a ilusão se apagou
E eu vi ao meu lado
Um demônio de olho azul
Seu sorriso era blasfemo
Sua face corada e vermelha
Seus dentes férreos
E o seu semblante tosco
(Dizem que Lúcifer é assim)
E o demônio zombou de mim
Afinal ele tinha algo
Que eu não tinha
Ele tinha seu coração enfim
Pobre coração
Destruído pelo tempo
Amalgamado por amarguras
Dono de uma alma inquieta
Que é devorada nos ventos do amor
Um coração forte
Porém ingenuo
Ele ainda acredita
Na paixão...
Mas esta também me devora
Eu gostaria de medi-la
Traça-la como um matemático
E invocar forças do bem
Para que eu não fosse
Uma triste alma que chora
Há mas se eu pudesse me livrar desta dor!
E ter você comigo assim dançante
Poderia entrelaçar nossos corpos
Saborear o prazer do pecado
Viajar nas deliciosas fantasias
E esquecer a dor que me maltrata...
Maldita dor!
Então seu sorriso seria apenas meu
E o negro véu dos seus cabelos
Acariciaria minha face
E o tormento constante
Iria embora
Pelos menso naquele momento
E minha viajem de luz
Ao seu interior
Seria completa pelo descanso sublime
Mas então que venha a morte!
Que venham os féretros e cantem a canção do mau!
Se tiver que aceitar o martelo
Que ele venha sobre mim
E ataque o meu viver
Se o meu sentir é soberano
Apenas eu posso julgá-lo
Então que falem os loucos agora
Pois o que me abate
Abate aos de carne e osso também
E a vida não é uma estrada em linha reta
E nem um vinho velho e doce
É um caminho de curvas fechadas
É uma bebida revigorante e amarga
Cercada pela escuridão em todos os lados
Despida pelas tochas da fé e da esperança...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
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