segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ÁRVORES

E assim disse o profeta:

E haverá um dia
E assim vos digo
Que os gigantes adormecidos
Como pedras lentas
Fincadas nas pedras
Irão reviver

E neste dia
Sob uma grande chuva
Aquelas copas verdes
Que ficam além mar
E que ficam aqui
E que outrora um dia
Foram maiores ainda
Irão tomar vida
Vida de movimento

E sob o poderoso trovão
A natureza irá gritar
Liberar seus faunos e demônios
E tirar do concreto o ser que tudo cobiça

E neste dia
Sob chuvas torrenciais
O seres de tronco viverão
E poderão andar
Com suas raízes soltas
Saindo dos seus campos verdes
E realizarem seus sonhos de ódio
Contra o machado de sangue

E entrarão na floresta cinza
Tendo olhos que não deveriam ter
Descumprindo as promessas
Que disseram sobre elas

E dois grandes selos se abrirão
No primeiro
Todos os lugares do mau
Aonde fabricam a coisa mortal
Irão perecer
Aqueles objetos parecidos com serras
E que torturavam os gigantes
Serão destruídos para sempre

E na abertura do segundo selo ira ter um grande clamor:
Olhem! Vejam! Os seres de copas ficaram vivos!
E os seres de copas irão pegar todos os iníquos
Os iníquos que faziam móveis dos gigantes
E os grandes gigantes
Irão fazer objetos, camas, armários, guarda roupas
Dos ossos dos seres pequenos, dos seres de carne

E um grande assombro ira vir sobre a terra
E o bem virá disfarçado de mau
Ai daqueles gananciosos!
Que destroem o tapete verde!
Que destroem as cachoeiras!
Que acabam com os mares!
Grande aflição virá sobre eles!
Seria melhor se não tivessem nascido!

E todo lucro não terá mais nenhum valor!
E todo mau será compensado!
E toda seiva que foi caída, gota por gota, será paga novamente!

Ai daqueles que viverem nestes dias,
Seria melhor se não tivessem nascido!

E quem tiver olho verá
O canto dos pássaros reviver
O som das quedas d´agua voltar
O ar puro e límpido renascer

E a selva de concreto irá se extinguir!
E com ela todos os seres impuros!
Aqueles que agridem a vida
Brincando com a própria natureza
Irão perecer

E somente irá sobrar
Tão belo como nunca
A beleza dos sobrados
Vestidos de folhas
Nas altas campinas
Exibindo imponente
Como riso de meninas
Sua madeira em flor

Não mais morta como antes
Não mais cinzenta como outrora
Mas forte
Pulsante
Como no passado fora
Sua alegria antiga!

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