segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O POEMA IMPERFEITO

Mas quando eu te vejo
E sinto meu corpo pesar
É como se o ar ficasse escasso

Não me iludo
Apesar de o sentir já estar iludido
Não me entristeço
Apesar de meus olhos dizerem o contrário

Se eu fosse me preocupar
Dos sonhos que perdi
Talvez não estaria aqui
E muito menos
Em outro lugar

É que a vida
Ensina coisas
De maneira diferente
Diferente do nosso pensar

Mas como eu dizia
O ar fica preso
Juntamente com o coração

Eu finjo não sentir
Mas a dor vem e inflama

Como uma doce doença
Totalmente inesperada
Mas bem vinda

Amaldiçoadamente
Bem vinda

E eu busco la de cima
O perdão que não mereço
Tento olhar para o céu
E pedir perdão

Para quem?
Para você?
A culpa não é minha
A culpa é sua

Sua sim
Seus cabelos
Seu sorriso
Seu olhar

Mas eu busco la em cima
O meu amor verdadeiro
Será que ele esta lá?
Eu tenho certeza de que ele esta lá.

Mas como dizia
A culpa é sua
De seu corpo
Sua boca
E seu sentir

E aprecio
Com deleite
Quando de repente
Você se aproxima
E,
No seu andar dançante
Faz-me reviver
Os dias da inocência

Por que a vida é severa comigo?
Eu não sei explicar
É como se nos meus caminhos errados
Que eu mesmo tomei
Achei você que era o certo
Mas que se tornou errado
Em virtude dos outros caminhos

Então para mim você é sonho
Que vislumbro forte mesmo
Porém é pesadelo
Que contemplo quando vai

Então eu gostaria
De fechar este canto
Com uma bonita chave de ouro
Mas os dias assim me impedem

Gostaria de invés das letras
Avançar na poesia inconcreta do seu amor

Mas impossível é para mim
Avançar mais que as letras
Elas são divisão que avança
Mas impede ao mesmo tempo

É por isso que tento ser pesado
Busco a palavra certa
Mas existe mesmo palavras certas?
O amor pode ser classificado na matemática do soneto?
Acredito que não, nem em letras e nem em sonhos

Mas nas suas mãos poderia estar a carne que tanto anseio ,e nelas, a macieis da sua pele ecoaria em meu sentir, tornando minha alma mais quente ,porém, menos protegida.

Há mas onde poderia estar você agora? Andando solene em firmes passos em direção ao luar? Ou distribuindo seu afeto de maneira desordenada como uma louca dama machucada pela dor? Eu não sei, mas sei que sinto e isso é tudo nestas letras vãs, tão vãs e espalhadas como uma alma vazia o qual vagueia pelos cantos buscando a ternura que jamais teve.

Pergunto a mim mesmo se os criadores das letras não deveriam colocar no alfabeto uma letra que representasse a dor, a dor do amor, talvez assim todas as cartas e todos os poemas poderiam ser resumidos com uma só letra, e esta seria desenhada com força no papel tendo em os seus desenhistas o terror mórbido de uma dor doentia que clama no peito e faz tristes velhos uivarem de ódio.

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