Oh! Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
E veja
Dentro daquela caixa
As senhoras de pé
Os senhores de pé
E os garotos sentados
Note
Os humanos apertados
Junto com seus sonhos
Agora apertados
Imóveis, loucos...risonhos
Repare
O transpirar de sangue
As vozes impacientes
Uma barca de Dante
Os olhos carentes
Oh! Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
E veja
Nestas curvas fechadas
Os trabalhadores a ruir
Motoristas de almas marcadas
Como um leão prestes a rugir
Note
A criança com pneumonia
Sem saúde, sem nenhum plano
Que vive hoje com sua tia
Pois sua mãe está em desengano
Repare
Nas mãos daqueles pais
Calejadas de torturas
Possuidores de muitos ais
Almas cortadas por ranhuras
É aqui que deveria parar meu poema
Oh Deus!
Oh Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
Um povo sofrido de ser ver
Vida atribulada como o chacoalhar do Ônibus
As donzelas enganadas
Os garotos sofridos
Que buscam nos finais de semana
Os espíritos se lavarem
No sêmen do esquecimento
Na viagem da cocaína
Mas não são deles
Esta viagem
A viagem do ônibus é sombria
Ela caminha para o deus da Obrigação
Que hoje é tão bem servido
Como o Deus original
Oh Deus dos desgraçados!
Sorria agora
Com seu riso de ternura
Para os pobres miseráveis
Que cantam pedindo pão
Para aqueles que ficam sentados
Mas assim os meus pensamentos voam longe
Cercados de planos e desenganos
Eu também luto na vida
E junto com eles eu estou
E assim meus versos são profanos
Pois ninguém enxerga o que está a sua volta
Então muito menos estas palavras
Mas assim será meu canto. Longe de querer ser ouvido, sei bem que nada, nada do que se diz será cumprido. Meus irmãos estarão sempre no Ônibus Negreiro. Com seus sonhos e com suas ilusões. Preocupados com as bundas dos finais de semana. E se esquecendo ou fingindo esquecer das desilusões.
Oh Deus dos desgraçados
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
Eu busco qualquer miragem
Dentro da minha imagem
Que é gerada no meu pensar
Tento enganar a minha carne
Que agora chora em busca do sublime
Mas eu finjo-me de surdo
E me esqueço das minhas razões
E assim são meus versos
Livres e caótico
"Na voz de um "pensador""
Que ousa pensar
Em um lugar aonde isso é proibido
Não na forma feudal
Com donzelas de ferro e feridas
Mas na forma corriqueira
Das zombarias...foragidas
Eu não vou fugir do desengano
Pois os ataques me fizeram forte
Devemos antes de tudo agradecer
A aqueles que nos atacam
Pois o beijo da donzela apenas amansa a carne
Más o chicote do carrasco
Traz força a carne
Que não é calejada
Marcada
Descorada
E também é experiente
Não mente
E transforma a mente
E ônibus segue para a montanha
E o sol brilha no porvir
Transformando aquele momento único
Na verdadeira consumação da vida
Não parece
Mas lá também ela deve ser vivida
Peço desculpas por estes versos tolos e desconexos
Mas também devemos pedir desculpas a vida?
Não, devemos agradece-la
Até no ônibus
Onde não parece, mas o momento é vivido também
Então
Veja
Note
Repare
Oh Deus dos desgraçados!
Olhe para cá agora
Estes filhos amordaçados
Que a Paz agora implora!
domingo, 29 de novembro de 2009
OLHOS AZUIS
Nasci filho de brancos e caboclos
Em meu sangue a alma grita
A respeito de um passado distante
Intranquilo
Porém errante
E assim me fiz garoto
Brincando nas casas de tijolo velho
Vendo o meu leite
Sendo misturado com o álcool da insensatez
Tentei ser de bem
Mas matava insetos
Destruía passarinhos
Batia em amiguinhos
E me desviava das chuvas...
Dos pinguinhos
Minha mãe colocava o prato na mesa
E as escondidas ia chorar
Era arroz com ovo
Para mim algo difícil de gostar
Pois as porradas do meu pai
Ela tinha de suportar
Daí eu vi então aquela menininha
De olhos azuis e tranquilos
Olhava para o nada... o vazio
Eu olhava para ela querendo me completar
Ela quis se completar com o outro
Eu tinha seis anos apenas
E na escola os números me matavam
Aos poucos me encerravam
Eu tentava em vão me desviar
E depois destes dias
Sentia que a matemática iria me matar
Mas aos doze anos
Um velho me ensinou
Em Deus confiar
E depois destes dias
Eu sigo eterno a cantar
E pelas ruas viajar
Questionar
E chorar
Há mas onde estão aqueles olhos azuis?
Aquele semblante calmo e confiante
Ele me falou do fim do mundo
E do final do homem
Mas também falou do amor de Deus
Que a Ele consome
E aprendi a ter medo
Mas ter a coragem em mim
Dada pelo ser divino
Que através do racional
Me levou para glória
E aqueles olhos azuis fitavam novamente para mim
Em forma de menina mulher
Carregando o pecado consigo
Fazendo que no futuro
Eu sentisse saudade de mim
Olhos azuis
Que me fizeram esquecer da vida
Ao qual eu fugi
Deixei-a caída, sofrida
Mas eu sofri também
Cortei parte da minha vida
E até abandonei a minha alma
Que até hoje não é outra
Há mas eu queria conhecer os céus
E busquei isto nas palavras de livros
E me esquecia de tudo
Dos ovos não comidos
Dos cabelos dourados negados
Que desejava serem esquecidos
E conheci um poeta
Que me disse o que era céu e mar
Aonde ficava o A e o B
E a Deus ousei questionar
Mostrou-me também o horizonte
As nuvens distantes
Que eu nunca ousara ver
E eu olhei para cima
De verdade
Pela primeira vez para cima
Mas aí o amor chegou com asas ligeiras. Veio com um rosto sereno de mulher. Com cor parda porém branca. Pois branca era sua alma. Alva, mas também carregava o magma dos deuses. E o meu vulcão quis entrar em erupção. E assim o amor me levou para o céu.
E com rosto de mulher
Minha vida se fez
Experimentei o pecado
E nada, nada ele fez
Pelo contrário
De rosto colado
Minha solidão se desfez
E foi assim que "Colombo descobriu a América".
E meu amor se tornou forte
Além de qualquer razão
Não uni só carne
Uni alma também
Abandonei pai, mãe, avô, irmão
E segui em frente
Sem medo de ninguém
Mas aí chegou a morte
E quis barganhar minha vida
Que eu achei de muito sofrida
Quis abandoná-la
Sim, minha vida
E a morte quis me calar
O medo me domou
Tomou
De mim o que não tinha
-"Você errou" - disse ele
A morte eu não tinha
E minha coragem ela levou
E assim minha alma ficou fria
Sozinha
E os céus se fecharam
E toda poesia morreu
Abandonei a vida
Todo horizonte se perdeu
Não tinha mais o que fazer
Disseram para mim:
-"Você foi alguém que não viveu."
Mas eu lutei
E a morte assim enfrentei
Cortei o dragão
Com punhais pequenos
E suas labaredas eram grandes
Mas o futuro assim fitei
Não, não me entreguei
E na luta com eu mesmo
Me tornei eu mesmo
Não, não entreguei minha vida a esmo
E a morte foi embora
Com o seu cortejo
E estou aqui mesmo. Nestes versos errados e as vezes acertados. Uma vida que conseguiu encontrar a luz. Meus poemas são assim. As vezes sem versos, as vezes com versos. Mas se você não entende, saiba que a vida é tão desconexa quanto este poema. É imprevisível. Não é planejada. Ela é jogada ao nada, faz parte de você fazer com que ela se transforme em tudo.
E aqui eu tenho uma visão
e profeta poeta
Eu vi a poesia morrer
E a arte se desfazer
Vi canhões de laser
Invadirem a solidão do céu profundo
Vi um povo grande
Dominar um outro menor
Vias as pessoas serem jogadas
Que nem zumbis ao solo
Vi as crianças chorarem
Sem pais
E sem país
Vi o horizonte se desfazer
Nossos filhos serem escarrados
Diante de poderosos sem coração
Que transformarão este mundo
Em total alucinação
Eu vi Deus morrer na escuridão
Vi o Soberano ser morto por todos
Vi o amor ser desfazer
E a tecnologia chegar ao coração
O deixando, infelizmente
Eletrônico
Mas assim sigo a vida
Poeta, profeta, desconexo
Tentando achar nisso tudo
Algum nexo
Mas não se preocupe
Com este meu transe
Siga sua vida
Viva, transe
Vamos nos esquecer dos outros
Afinal de contas
O nosso umbigo é mais bonito não?
Eu quero um mundo sem ideologias
Quero que o pão seja dado
Sem que por trás dele haja teorias
Quem tem fome
Não tem como pensar
Ele não sabe como chegou ali
Só quer sua natureza
Saciar
Mas aqui acaba meu transe
Sem chave de ouro
Sem rima
Apenas tentando achar lógica no meu questionar
Então sonhe amiga e amigo meu
Pois o dia de amanhã ninguém sabe
E se um dia isto tudo acontecer,
Sua própria alma conseguirá encarar?
Em meu sangue a alma grita
A respeito de um passado distante
Intranquilo
Porém errante
E assim me fiz garoto
Brincando nas casas de tijolo velho
Vendo o meu leite
Sendo misturado com o álcool da insensatez
Tentei ser de bem
Mas matava insetos
Destruía passarinhos
Batia em amiguinhos
E me desviava das chuvas...
Dos pinguinhos
Minha mãe colocava o prato na mesa
E as escondidas ia chorar
Era arroz com ovo
Para mim algo difícil de gostar
Pois as porradas do meu pai
Ela tinha de suportar
Daí eu vi então aquela menininha
De olhos azuis e tranquilos
Olhava para o nada... o vazio
Eu olhava para ela querendo me completar
Ela quis se completar com o outro
Eu tinha seis anos apenas
E na escola os números me matavam
Aos poucos me encerravam
Eu tentava em vão me desviar
E depois destes dias
Sentia que a matemática iria me matar
Mas aos doze anos
Um velho me ensinou
Em Deus confiar
E depois destes dias
Eu sigo eterno a cantar
E pelas ruas viajar
Questionar
E chorar
Há mas onde estão aqueles olhos azuis?
Aquele semblante calmo e confiante
Ele me falou do fim do mundo
E do final do homem
Mas também falou do amor de Deus
Que a Ele consome
E aprendi a ter medo
Mas ter a coragem em mim
Dada pelo ser divino
Que através do racional
Me levou para glória
E aqueles olhos azuis fitavam novamente para mim
Em forma de menina mulher
Carregando o pecado consigo
Fazendo que no futuro
Eu sentisse saudade de mim
Olhos azuis
Que me fizeram esquecer da vida
Ao qual eu fugi
Deixei-a caída, sofrida
Mas eu sofri também
Cortei parte da minha vida
E até abandonei a minha alma
Que até hoje não é outra
Há mas eu queria conhecer os céus
E busquei isto nas palavras de livros
E me esquecia de tudo
Dos ovos não comidos
Dos cabelos dourados negados
Que desejava serem esquecidos
E conheci um poeta
Que me disse o que era céu e mar
Aonde ficava o A e o B
E a Deus ousei questionar
Mostrou-me também o horizonte
As nuvens distantes
Que eu nunca ousara ver
E eu olhei para cima
De verdade
Pela primeira vez para cima
Mas aí o amor chegou com asas ligeiras. Veio com um rosto sereno de mulher. Com cor parda porém branca. Pois branca era sua alma. Alva, mas também carregava o magma dos deuses. E o meu vulcão quis entrar em erupção. E assim o amor me levou para o céu.
E com rosto de mulher
Minha vida se fez
Experimentei o pecado
E nada, nada ele fez
Pelo contrário
De rosto colado
Minha solidão se desfez
E foi assim que "Colombo descobriu a América".
E meu amor se tornou forte
Além de qualquer razão
Não uni só carne
Uni alma também
Abandonei pai, mãe, avô, irmão
E segui em frente
Sem medo de ninguém
Mas aí chegou a morte
E quis barganhar minha vida
Que eu achei de muito sofrida
Quis abandoná-la
Sim, minha vida
E a morte quis me calar
O medo me domou
Tomou
De mim o que não tinha
-"Você errou" - disse ele
A morte eu não tinha
E minha coragem ela levou
E assim minha alma ficou fria
Sozinha
E os céus se fecharam
E toda poesia morreu
Abandonei a vida
Todo horizonte se perdeu
Não tinha mais o que fazer
Disseram para mim:
-"Você foi alguém que não viveu."
Mas eu lutei
E a morte assim enfrentei
Cortei o dragão
Com punhais pequenos
E suas labaredas eram grandes
Mas o futuro assim fitei
Não, não me entreguei
E na luta com eu mesmo
Me tornei eu mesmo
Não, não entreguei minha vida a esmo
E a morte foi embora
Com o seu cortejo
E estou aqui mesmo. Nestes versos errados e as vezes acertados. Uma vida que conseguiu encontrar a luz. Meus poemas são assim. As vezes sem versos, as vezes com versos. Mas se você não entende, saiba que a vida é tão desconexa quanto este poema. É imprevisível. Não é planejada. Ela é jogada ao nada, faz parte de você fazer com que ela se transforme em tudo.
E aqui eu tenho uma visão
e profeta poeta
Eu vi a poesia morrer
E a arte se desfazer
Vi canhões de laser
Invadirem a solidão do céu profundo
Vi um povo grande
Dominar um outro menor
Vias as pessoas serem jogadas
Que nem zumbis ao solo
Vi as crianças chorarem
Sem pais
E sem país
Vi o horizonte se desfazer
Nossos filhos serem escarrados
Diante de poderosos sem coração
Que transformarão este mundo
Em total alucinação
Eu vi Deus morrer na escuridão
Vi o Soberano ser morto por todos
Vi o amor ser desfazer
E a tecnologia chegar ao coração
O deixando, infelizmente
Eletrônico
Mas assim sigo a vida
Poeta, profeta, desconexo
Tentando achar nisso tudo
Algum nexo
Mas não se preocupe
Com este meu transe
Siga sua vida
Viva, transe
Vamos nos esquecer dos outros
Afinal de contas
O nosso umbigo é mais bonito não?
Eu quero um mundo sem ideologias
Quero que o pão seja dado
Sem que por trás dele haja teorias
Quem tem fome
Não tem como pensar
Ele não sabe como chegou ali
Só quer sua natureza
Saciar
Mas aqui acaba meu transe
Sem chave de ouro
Sem rima
Apenas tentando achar lógica no meu questionar
Então sonhe amiga e amigo meu
Pois o dia de amanhã ninguém sabe
E se um dia isto tudo acontecer,
Sua própria alma conseguirá encarar?
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