terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DENTRO DE CASA

O senhor do vento passou aqui
E me disse para falar das flores
Das pétalas que caem
E exalam cheiro de dor
Cheiro de semente
E de algas

Dona Maria passou por aqui
Disse que seu filho chorava
Que não queria mais chorar
Que não queria mas sofrer
Pobre dona Maria

João do violão passou por aqui
Cantou músicas pobres
Disse que não era podre
E que uma luz brilhava em seu peito
Jõao do violão tinha uma filha

Morpheus passou por aqui
Disse-me para sonhar
Sonhei com cobras
Sonhei com aranhas
Vi úteros desabrocharem
E sorrirem diante dos gritos de horror

Das mães

Meu avô passou para aqui
Disse-me para parar
Que a corda é o equilíbrio
Que se agitar
Provoca dor
Meu vô tem razão
Ele sempre teve razão

Meu pai passou por aqui
Disse-me para pular
Que lá embaixo não tinha nada
Apenas frutas maduras e abacaxis
Papai, você sempre mentiu para mim
Por que devo acreditar agora?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Você olha para os lados
E vê aqueles que te impedem
De fazer
O que deve ser feito

Muitos tentam te destruir
E nesta destruição
Assaltam os seus sonhos
Igualzinho ao que fazem na TV

Eu gostaria de acreditar
Nas garotas de anúncios de outdoor
Ser mesmo feliz
Tomando Coca-Cola

Mas a minha natureza é mais forte do que isso

Nada me impede
De buscar a minha luz
Por mais que vocês tentem dizer o contrário

Eu não uso sapatos italianos
E meu terno é velho da década de 70

Vocês querem saber da minha conta bancária
Mas meu verdadeiro banco está dentro do meu peito
Mas, pasmem, não é dinheiro que vocês irão encontrar lá

Os meus verdadeiros juros estão nos meus sonhos
E lá eles correm altos,
Sem medo da inflação

Eu quero ser livre
Mas não livre da liberdade que oprime
Eu quero pensar a minha verdade
E ser a minha verdade

Eu não sou instrumento de pesquisa
Não pertenço a nenhuma estatística
Que vá para o inferno este negócio de: "Público Alvo"
E não sou alvo de vocês
Vocês é que são o meu alvo

Eu quero ser livre
Para sonhar a minha vida não imposta
Eu não preciso da sua grana
Nem das suas mulheres
Muito menos dos seus carros
Eu preciso apenas da minha paz
E esta eu consigo
Execrando seus pontos de vista

Deus é forte em mim
Ele me diz para continuar a sonhar
Ele me diz que a fé não está nos supermercados
Que a perseverança não se vende via Internet
E que a esperança não é vendida "em liquidação com três novos sabores".

Se vocês acreditam no sonho de Darwin
O problema é de vocês
Se vocês acreditam nos sonhos de Nietchze
O problema é de vocês
Se vocês acreditam em apenas pedras e fósseis
O problema é de vocês

Mas não venham tomar a minha verdade
Ela não foi fabricada para se tornar absoluta entre vocês
E nem pode
Ela é loucura para quem se diz muito sábio

Mas é assim que sigo minha vida
Olhando para luz que vem do alto
Desconfiando dos teus medos e das tuas verdades
Acreditando em algo singelo que me torna livre: Fé.

A BENÇÃO BRANCA (para minha filha Bianca)

Difícil é traduzir
O sentir em um poema

É como descrever
O invisível

Nas tardes que vejo
O sol bater na janela
Sinto que me iludir faz bem
Sinto que os sonhos
São mais reais

Ver você aqui é bom
Nesta casa onde tudo era pálido
Sua brancura trouxe felicidade

E os raios do sol
E das estrelas
Tornaram-se mais coloridos
E menos destrutivos
Trazendo muito mais que a verdade em seus olhos

É por isso que quando você sorri
Eu saio deste mundo
E tento imaginar
Que meus dias de criança foram assim

É por isso que quando eu te olho
E vejo o brilho da inocência
Me transformo pequeno
E as cores
Se destacam cada vez mais
Tudo é um grande contraste
Todo o "ver"
Se transforma em prazer e gozo

E é no seu sono
Que encontro minha paz
Viajando em mim mesmo
Buscando os lugares tranquilos
Os quais tive outrora

Então assim é você
Minha Benção Branca
Um pedaço de mim
Que de tão fraco
Me torna forte
Uma força alegre
Que me torna fraco...